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Clippings - 24/07/17

14ª rodada entra na reta final

A ANP conclui hoje a última etapa pública antes da sessão de apresentação das ofertas da 14 ª rodada, marcada para 27 de setembro, com a conclusão dos seminários de apresentação das áreas e das regras do leilão. Faltam duas semanas para o fim do prazo de inscrição da rodada, que em parte representará uma nova tentativa de contratar áreas que não despertaram o interesse das empresas no leilão anterior, feito em 2015.

A 14ª rodada vai ofertar 110 blocos offshore, em sete bacias, dos quais 19% (21 blocos) foram oferecidos na rodada anterior – ao todo, foram incluídos 287 blocos, 177 em terra. As grandes novidades são os 76 blocos de Santos e os dez de Campos, margeando o polígono do pré-sal, que não foram ofertados na 13ª rodada.

Já nas outras áreas, a expectativa é que o cenário atual seja suficiente para dar uma nova chance para blocos que não tiveram interesse na rodada anterior.

Na nova fronteira de Pelotas, extremo Sul do país, a estratégia foi quadruplicar o tamanho dos blocos e privilegiar águas profundas. Três dos seis blocos da 14ª rodada na região são totalmente formados por 12 áreas da 13ª rodada e os outros três misturam áreas novas e repetidas.

Na mesma linha, Sergipe-Alagoas e Espírito Santo, bacias com oferta de blocos em águas profundas e sobre a qual recaíram as maiores expectativas na 13ª rodada (Sergipe, especialmente), têm praticamente as mesmas ofertas na 14ª rodada. São repetidos, da 13ª rodada, oito de 11 blocos em Sergipe-Alagoas e todos os sete do Espírito Santo.

Nesse sentido, a 14ª rodada vai servir também como um teste das medidas tomadas pelo governo, que mudou radicalmente as diretrizes para o setor petrolífero nacional. Há pouco mais de um ano no executivo federal, o presidente Michel Temer já ficará marcado como o presidente responsável por atender uma série de pleitos antigos das petroleiras na tentativa de deixar o mercado brasileiro mais atraente em relação a outros países ofertantes.

As reformas promoveram mudanças radicais na política de conteúdo local como fora estabelecida a partir da 7ª rodada, o calendário de rodadas até o fim da década está definido e a ANP estuda como vai ser o modelo de oferta permanente de áreas, já aprovado pelo CNPE.

Em 2015, quando a 13ª rodada fracassou – 14% dos blocos foram arrematados, apenas dois no offshore de Sergipe –, o cenário era, de fato, diferente. O governo de Dilma Rousseff enfrentava a crise que culminou no impeachment e a indústria de petróleo lidava com os primeiros impactos do ciclo de baixa no mercado global de petróleo.

No dia do leilão, em outubro de 2015, os contratos futuros do Brent negociados em Londres fecharam a US$ 51,66 e chegariam a mínima de US$ 26,01 três meses depois. Atualmente, a commodity é negociada em torno de US$ 50 e enfrenta resistência contra uma valorização acima deste patamar.

A expectativa, inclusive, é de manutenção desse preço por um perãodo mais longo do que o estimado até o ano passado, quando petroleiras e fornecedores chegavam a prever aumento gradativo para US$ 60 a US$ 70 por barril em dois anos.

Mesmo assim, a indústria hoje está mais bem posicionada, com contratos e bases de custos mais adequadas à nova realidade.

Em xeque, no fim das contas, estará a competitividade brasileira e a capacidade da 14ª rodada de atrair investimentos frente a concorrência com outros mercados, tanto consolidados, como emergentes, como o México, e até internamente. Só este ano, além dos 287 blocos da 14ª rodada, o governo vai ofertar outros oito dentro do polígono do pré-sal nas 2ª e 3ª rodadas de partilha.