A queda na produção de petróleo da Petrobras, observada em janeiro, deve se repetir ao longo do ano. A média no mês foi de 2,192 milhões de barris por dia ou -0,65% menor em relação ao mês anterior e acima da meta projetada para 2015. A petroleira já anunciou que quer encerrar 2015 com uma produção média 4,5% maior frente a 2014. Contudo, isso significará produzir 2,125 milhões de barris/dia, ou seja, menos do que a companhia produziu em dezembro e janeiro.
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Em 2015, a perda esperada é da ordem de 170 mil barril/dia, de acordo com informações do ex-diretor de E&P da companhia José Formigli, divulgada durante a apresentação de resultados do 3º trimestre do ano passado.A queda é atribuída à perda natural de vazão dos sistemas atuais e, por mais que a meta do ano seja inferior ao patamar de produção vigente, a companhia vai precisar adicionar 265 mil barris/dia de óleo novo.
Sem óleo novo, a produção da PB em 2015 cai 8,4% para cerca de 1,860 milhão de barris/dia de petróleo (mesmo patamar de 2008), mas precisa subir para 2,125 milhões
A companhia conta, principalmente, com o óleo da P-61 (Papa-Terra, esperada para fevereiro), da Cidade de Itaguaí (Iracema Norte, 4º trimestre) e com o ramp-up dos módulos 3 (P-55) e 4 (P-62) do campo de Roncador de 2014, que atrasaram devido a problemas na injeção de água nos reservatórios do campos.
Em Roncador, a P-55 registrou uma vazão de 67 mil barris/dia e a P-62, de 42 mil barris/dia. Como cada uma tem capacidade para produzir 180 mil barris/dia, em tese, há cerca 250 mil barris/dia de capacidade ociosa para ser destravada este ano. A Petrobras detém 100% dos ativos.
Em Papa-Terra, onde a Petrobras é dona de 62,5% da produção, a situação é parecida: a P-63 produziu, em dezembro, 24 mil barris/dia, contudo o sistema completo (P-61, P-63 e TAD) tem capacidade para mais 116 mil barris/dia (72,5 mil b/d para a Petrobras), totalizando 140 mil barris/dia. A Chevron é sócia no projeto com os 37,5% restantes.
No caso do FPSO Cidade de Itaguaí (180 mil barris/dia), a entrada de óleo novo de Iracema Norte foi postergada do 3º para o 4º trimestre deste ano. Mesmo assim, com uma média de produção por poço no pré-sal da ordem de 20 mil barris/dia, a unidade pode ser decisiva para a meta da Petrobras, que tem 65% do óleo, com a BG (25%) e a Petrogal (10%).