
Com reajustes consecutivos nas últimas seis semanas, o litro da gasolina vendida pelas refinarias privadas custa, em média, 11,7% mais caro que o da Petrobras, mesmo após a estatal ter elevado o preço do combustível.A menor diferença é praticada pela 3R Petroleum, gestora da Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), no Rio Grande do Norte, privatizada em junho. O levantamento é do Observatório Social do Petróleo (OSP), entre 13 de julho e 19 de agosto.Com o último aumento, na semana passada, o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras subiu para R$ 2,93. A RPCC cobra R$ 3,22 pela gasolina – uma diferença de R$ 0,29 (9,9%) em relação ao preço da estatal.O valor atual da Petrobras é R$ 0,44 menor (14,9%) que o da Ream, que vende o litro a R$ 3,37. A Refinaria de Mataripe vende o litro a R$ 3,24, ou seja, R$ 0,31 (10,4%) mais caro do que a gasolina da estatal.O diesel da Petrobrás teve uma alta de R$ 0,78 e passou a custar R$ 3,80. A Ream cobra R$ 4,29 e Mataripe, R$ 4,06 o litro, uma diferença de R$ 0,49 (12,8%) e R$ 0,26 (6,8%), respectivamente, em comparação ao preço praticado pela estatal.O economista Eric Gil Dantas, do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), destaca que a Petrobras não considera somente a maximização do lucro para definir o seu preço, com influência no custo de vida da população – pois somente a gasolina sozinha representa cerca de 5% do IPCA. Já o diesel, lembrou ele, tem um efeito disseminador em quase todos os itens da cesta de bens e serviços calculados pelo IBGE.“Quando temos uma estatal que pode cobrar menos do que a concorrência privada isso se reflete em índices de preços menores, resguardando o poder de compra da população e até mesmo impedindo a subida dos gastos públicos, que crescem quando o Banco Central aumenta a Selic para combater a inflação”, avalia.Petróleo mais caroAs refinarias privadas alegam que a matéria-prima é mais cara para elas do que para as refinarias da Petrobras, provocando distorções no resto da cadeia.Já o diretor da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e do Sindipetro PA/AM/MA/AP, Bruno Terribas, o fim do PPI (preço de paridade de importação) não foi suficiente para viabilizar combustíveis a preços mais justos.“Várias outras medidas são necessárias para que o preço ao consumidor final faça jus à vantagem de termos uma estatal com tamanha relevância mundial no setor de petróleo e gás”, declara.O dirigente defende o retorno da Petrobras ao setor de distribuição, por exemplo.A Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, na Bahia, detém o maior aumento acumulado da gasolina nas seis semanas seguidas, de 25,6%, o equivalente a R$ 0,66 por litro. A Ream reajustou o preço em 24,9%, elevando o litro em R$ 0,67. Na 3R Petroleum, a alta da gasolina foi de 23,2%, subindo R$ 0,61 por litro.Em relação ao S-10, a recordista de aumento no preço no período foi a Ream, com a marca de 32,9%, representando R$ 1,06 a cada litro do combustível. O reajuste da Acelen foi de 32,2%, o equivalente a R$ 0,99 por litro de diesel. A 3R não produz S-10.