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Clippings - 26/08/20

Empresas de sísmica à espera de dias melhores

Diante da redução de aproximadamente 25% no capex global das petroleiras, as empresas do segmento de sísmica e geofísica projetam cenário difícil para o restante do ano. No segundo trimestre, TGS, PGS, ION, EMGS e CGG viram suas atividades caírem, com reduções de 35% a 60% ano a ano nas receitas e – em alguns casos – prejuízos de milhões de dólares.

Entre as empresas analisadas pelo PetróleoHoje, a EMGS foi a que registrou menor taxa de utilização de embarcações no último trimestre, de 23%. O Ebitda da companhia ficou negativo em US$ 2 milhões, ante o prejuízo de US$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2020. A receita caiu 43% ano a ano, para US$ 8 milhões.

Para amenizar o impacto da crise, a empresa iniciou o processo de hibernação ou fechamento de todos os seus escritórios fora da Noruega (Kuala Lumpur, Houston, Rio de Janeiro, México e Mumbai) e a redução de efetivo, em tempo integral, de 125 empregados no primeiro trimestre para menos de 20 no final do ano.

A EMGS ressaltou, em relatório trimestral, que seu inventário principal permanece intacto, mas que a maioria dos projetos está sendo postergada. A empresa trabalha para retomar aquisição de dados em 2021, primeiro na costa continental norueguesa e depois internacionalmente.

O próximo ano é também o horizonte definido pela PGS para a recuperação das atividades do segmento. Para a empresa, o quarto trimestre do ano será fraco, com trégua no início de 2021, quando a maior parte do trabalho de aquisição deve acontecer.

No segundo trimestre, a companhia registrou “declínio significativo em leads” de contratos sísmicos e licitações, impulsionado por menores investimentos entre as empresas de energia. A utilização das embarcações caiu para 65%, com receita de US$ 139 milhões – queda de 35% ano a ano – e lucro de US$ 7 milhões no período, ante resultado negativo em US$ 16 milhões no primeiro trimestre.

Demanda por serviços / Fonte: PGS

Em reorganização, a empresa iniciou negociações com bancos e credores no segundo trimestre. A empresa planeja reduzir seus custos anuais em 33% ante o planejado no início do ano, para a faixa de US$ 400 milhões. Para alcançar o objetivo, reduzirá o número de embarcações de oito para cinco e a força de trabalho administrativa em aproximadamente 40%.

Já a ION é mais pessimista quanto à recuperação do mercado: “Esperamos um mercado desafiador no próximo ano, talvez até dois, com uma redução material na demanda sísmica”, declarou o CEO da companhia, Christopher Usher, em conferência com investidores no último dia 6.

A empresa registrou prejuízo ajustado de US$ 12 milhões no segundo trimestre, com receita de US$ 23 milhões – queda de 45% ano a ano. Em abril, a ION anunciou a redução de sua estrutura de custos com ativos em mais US$ 18 milhões, que se somam ao corte anunciado em janeiro, de US$ 20 milhões.

A companhia segue com a estratégia de diferenciação técnica, preservando o investimento de 10% da receita em pesquisa e desenvolvimento. Além disso, a ION tem incorporado o mercado de portos e ancoradouros em seus negócios.

Para a CCG, o segundo semestre de 2020 será definido pela estabilidade do orçamento dos clientes para o ano e sua confiança nas perspectivas para 2021. No primeiro semestre, a companhia registrou fluxo de caixa líquido negativo em US$ 60 milhões. Os resultados do segundo trimestre foram marcados pelo prejuízo líquido de US$ 147 milhões e queda de 60% ano a ano nas receitas dos segmentos de geociência, aquisição multi cliente e equipamentos.

“O mercado de geociências continuou a se deteriorar neste trimestre, à medida que os clientes repriorizaram seus portfólios para levar em consideração as reduções nos gastos com E&P”, declarou, em nota, a CEO da companhia, Sophie Zurquiyah.

Dentro de geociência, a empresa tem estabelecido novas atividades de negócios nas áreas de geotérmica, captura de carbono e monitoramento e ciências ambientais.

A TGS concorda que mercado permanecerá desafiador no curto prazo. Com queda de 55% ano a ano na receita, que ficou em US$ 96 milhões no segundo trimestre, a empresa implementou medidas de redução de custos, como corte de aproximadamente 28% na força de trabalho, para 500 empregados no final do ano, redução de salários e renegociação de contratos com fornecedores.

Atenta à transição energética, a TGS defende que a exploração de hidrocarbonetos desempenhará papel importante para suprir a demanda futura por petróleo. “Mesmo quando se levam em consideração os cenários mais otimistas de transição energética, quantidades substanciais de nova produção de petróleo e gás são necessárias para atender à demanda e compensar o declínio”, escreveu a companhia.

Fonte: Revista Brasil Energia