A produção global em águas profundas deve subir 2,7 milhões de barris/dia entre 2017 e 2040, quando alcançará uma média de 9 milhões de barris/dia. A projeção é a U.S. Energy Information Administration (EIA), que destaca que, juntos, Brasil e Estados Unidos são responsáveis por mais de 90% da produção mundial em águas ultra profundas.
Na visão da agência, os dois países continuarão a ser os mais atrativos para os investimentos nesse segmento, pois já abrigam projetos das majors e têm as maiores reservas. No entanto, globalmente, novos projetos de águas profundas devem continuar a ter capital limitado por pelo menos mais uma década. A projeção da EIA indica que até 2027 os investimentos em novos ativos nessas áreas não crescerá tanto quanto no tight oil, por exemplo.
“O desenvolvimento desses recursos é mais caro, além de demorar para alcançar produção total e exigir infraestrutura adicional. Isto limita os investimentos em novos projetos. No entanto, a variação do barril provavelmente afetará a alocação e distribuição dos aportes entre as regiões geográficas e os diferentes recursos”, explicou a agência.
Neste cenário, a previsão é de grande crescimento do tight oil, principalmente nos EUA, que receberão a maior parte dos investimentos neste tipo de projeto pelo menos até 2025.
“Os projetos de tight oil nos EUA tendem a ter retorno (financeiro) mais baixo, por causa dos menores custos de serviço e do sistema regulatório estável, além de existirem novos recursos a serem acessados por meio dos avanços tecnológicos”, analisa a EIA.
A projeção é que o preço do Brent crescerá nos próximos anos, mas ainda permanecerá abaixo do visto entre 2010 e 2014, por isso, o crescimento futuro em recursos de alto custo serão menores do que os vistos anteriormente. Dados da EIA mostram que nesse período, quando o preço estava acima de US$ 100/barril, recursos como tight oil, águas profundas e oil sands (xisto betuminoso) chegaram a alcançar 30% do investimento global em upstream.
A alta nos valores fez estes recursos ganharem espaço no mercado, com um aumento de 4 milhões de barris/dia na produção, que chegou a 12,2 milhões de barris/dia, ou seja, 16% do total global.