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Clippings - 09/09/16

A agonia do apoio marítimo

O segmento de apoio marítimo no país segue em agonia, sofrendo não só com a redução da demanda das petroleiras, mas com a crise que abate a construção naval offshore. O caso mais recente foi o anúncio, no final de agosto, sobre a paralisação da construção do PSV 4500 BS Itamaracá, da Brasil Supply, no Estaleiro Ilha AS (Eisa), no Rio de Janeiro.

Contratado em 2010 pela Petrobras, o BS Itamaracá é a embarcação que garante a autorização concedida pela Antaq à Brasil Supply para operar como Empresa Brasileira de Navegação (EBN) – para se tornar uma EBN, é preciso ter um mínimo de tonelagem nacional, seja em construção ou operação comercial.

De acordo com o armador, a interrupção das obras é uma consequência do pedido de recuperação judicial feito pelo estaleiro no final do ano passado, hoje em trâmite na 1ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio.

“A Brasil Supply tem envidado todos os esforços para ver a retomada dos trabalhos junto ao Estaleiro EISA e a continuação da construção de sua embarcação no menor prazo possível”, disse a empresa, em comunicado à Antaq.

Outro armador que teve problemas com o Eisa foi a Swire, que cancelou, no ano passado, os contratos para a construção de quatro PSVs 5000 devido a atrasos nas obras. A empresa não anunciou um novo estaleiro para executar os projetos.

Além de problemas para concluir seus programas de construção, armadores têm dificuldades em obter contratos para sua frota existente. A Acamin, por exemplo, não consegue serviços para seu PSV Safari desde junho deste ano, em função da escassez de plataformas fundeadas na Baía de Guanabara e de projetos sísmicos, que aguardam licenciamento ambiental.

Situação similar é também vivida pela Nitsea, que, até agosto, ainda não fechou novos contratos, e pela Farol Apoio Marítimo, que tenta empregar desde março o barco Farol das Rocas.

A retração do segmento também tem afastado armadores estrangeiros do país. Em julho, a DeepOcean renunciou à autorização para operar como EBN por “razões de ordem comercial”, encerrando suas operações de embarcações de apoio marítimo no Brasil.

Outra empresa a desistir da outorga concedida pela Antaq foi a T&G Navegação, sociedade formada pela Galáxia Marítima com a chinesa TID para obter financiamento junto ao Fundo de Marinha Mercante para a construção de barcos contratados pela Petrobras no Prorefam. O pedido foi feito depois que os contratos de construção das unidades foram cancelados.

Frota

No último ano, a frota de apoio marítimo brasileira perdeu cerca de 70 embarcações, terminando o mês de julho com 412 barcos. A principal motivação para a queda é a redução da demanda da Petrobras – maior contratante –, que segue revisando sua frota de apoio offshore, assim como tem acontecido com a frota de sondas, hoje abaixo de 30 unidades.