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Clippings - 03/03/10

Abertura de capital da OSX mostra que Brasil mantém ’atratividade’, diz ’WSJ’

O anúncio da abertura de capital do estaleiro OSX seria uma indicação de que o mercado de oferta de ações no Brasil mantém sua atratividade, afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo diário econômico americano The Wall Street Journal.

Ao anunciar os planos, o estaleiro estaria tirando proveito do crescente interesse em investimentos do tipo no Brasil, diz o jornal.

A OSX é uma subsidiária do grupo de empresas de Eike Batista. Segundo o plano da abertura de capital, prevista para o dia 19 de março e anunciado na terça-feira, o grupo espera levantar entre R$ 5,5 bilhões e R$ 7,35 bilhões.

Essa deverá ser a maior operação do tipo no ano, ultrapassando a abertura de capital da chinesa Huatai Securities, que levantou US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 4,1 bilhões) no mês passado.

Deverá ser também a maior desde a abertura de capital da subsidiária brasileira do banco espanhol Santander, em outubro de 2009, no valor de R$ 14,1 bilhões.

Dificuldades

O anúncio da oferta da OSX vem em um momento no qual outros mercados estão tendo dificuldades com a emissão de novas ações, afirma o Wall Street Journal.

Desde o início do ano, por exemplo, os Estados Unidos viram algumas ofertas adiadas ou que tiveram preços abaixo do desejado. De maneira semelhante, os mercados chinês e indiano tiveram alguns lançamentos mornos, com algumas novas ações com queda no primeiro dia, diz o jornal.

Para o diário, o Brasil se tornou um destino preferencial dos investidores internacionais por causa de sua resistência durante a crise e sua recuperação vibrante, com a expectativa de um crescimento de mais de 5% neste ano.

Apesar disso, o jornal observa que duas outras aberturas de capital de empresas brasileiras neste ano, da Multiplus S.A., subsidiária da TAM, e da Aliance Shopping Center S.A., tiveram uma captação abaixo do esperado.

Expansão

O diário britânico Financial Times também destaca o assunto em sua edição desta quinta-feira e observa que a OSX pretende se beneficiar da demanda por transporte do setor de gás e petróleo, em expansão no país desde as descobertas das reservas do pré-sal, em 2007.

A reportagem também observa que o governo brasileiro deseja fomentar uma indústria de fabricação de navios para transportar suas próprias exportações de minério de ferro.

A Vale, a gigante da mineração do país, estaria sob pressão para deixar seus pedidos de navios para o transporte de minérios com estaleiros brasileiros, apesar de nenhum ainda ser equipado para construir embarcações do tipo, diz o jornal.

Além disso, segundo a reportagem, os estaleiros em todo o mundo enfrentam um problema de excesso de produção, o que já teria levado à quebra de estaleiros na Coreia do Sul, no Japão, na China e na Alemanha. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Eike Batista espera levantar R$ 9,9 bi com empresa de estaleiros

Uma Embraer dos mares. Assim, orgulhosamente, o empresário bilionário Eike Batista referiu-se à OSX, empresa de construção naval do seu grupo, na apresentação para agentes do mercado financeiro. Ontem a empresa anunciou que fará sua oferta inicial de ações (IPO) na Bovespa no próximo dia 19. Se as ações forem todas adquiridas no preço máximo, incluindo o lote adicional, poderá se tornar a segunda maior abertura de capital do País, alcançando R$ 9,9 bilhões, ficando atrás apenas do Santander, com R$ 14,1 bilhões, em outubro 2009.

A aposta da nova empresa do grupo EBX, segundo ficou claro na apresentação aos investidores, repete o modelo que vem sendo aplicado nas demais empresas de Eike: um time de primeira linha, um projeto arrojado e um IPO grande o suficiente para garantir os investimentos.

A OSX já nasce com 48 plataformas contratadas pela OGX, a petroleira do grupo de Eike e chamada de empresa-irmí pelo diretor financeiro do grupo, Roberto Monteiro. E com um contrato de venda de 10% da divisão de estaleiros para a coreana Hyundai Heavy Industries, com direito a intercâmbio de tecnologia. Além desse braço, a companhia terá também uma divisão de leasing e uma de serviços. Atualmente, o controle está com a EBX, mas o plano é de que 40% sejam negociados na abertura de capital.

A previsão é de que as plataformas construídas no estaleiro comecem a ser entregues em 2013. Seriam quatro no primeiro ano e sete em 2014. Em 2016, esse número chegaria a 13. Em dez anos, apenas para a OGX, seriam 48, com um custo de cerca de US$ 30 bilhões. A estimativa da própria empresa é que, no Brasil, no perãodo, serão construídas 182 plataformas para atender à demanda total, incluindo as regiões do pré-sal.

Procura

O mercado está demandante, afirmou Monteiro, comentando as novas fronteiras do petróleo no País, durante o road show. Paulo Mendonça, presidente da OGX, que também participou da apresentação disse que o próprio grupo deve encomendar mais equipamentos. Nós podemos precisar de muito mais (plataformas), afirmou O estaleiro da OSX, com 3,2 milhões de metros quadrados, será construído na cidade de Biguaçu, em Santa Catarina, a 20 minutos de Florianópolis. Segundo a apresentação, será o maior estaleiro das Américas, com capacidade para processar 220 mil toneladas de aço. De acordo com o diretor de operações, Luiz Eduardo Carneiro, os investimentos serão da ordem de U$ 1,7 bilhão. A expectativa é de que, já no segundo semestre, as licenças sejam liberadas e as obras comecem.

Liderando o grupo, estão três altos ex-funcionários da Petrobrás: Rodolfo Landim, que foi diretor da estatal e é o presidente da OSX; Eduardo Musa, engenheiro-chefe, e Luiz Eduardo Carneiro. Todos eles permaneceram, pelo menos, 20 anos na estatal do petróleo. Como é hábito, isso foi incluído e destacado na apresentação aos operadores de mercado como forma de mostrar a solidez da companhia, que vai ao mercado ainda sem ter a execução de nenhum de seus projetos.

Por isso mesmo, apenas investidores qualificados, ou seja, que têm apetite ao risco, poderão adquirir lotes da OSX. O investimentos mínimo é de R$ 300 mil, e o máximo, de R$ 1 milhão. No próprio prospecto, a empresa chama a atenção para o alto risco da oferta de ações.

Nas outras vezes em que foi a mercado fazer a oferta de ações, as empresas de Eike conseguiram sempre mais de R$ 1 bilhão. A mineradora MMX alcançou R$ 1,1 bilhão. A de energia, MPX, chegou aos R$ 2 bilhões, e a OGX aos R$ 6,7 bilhões (à época, o maior da história). Se captar tudo que espera com o IPO, a OSX chegaria à bolsa com um valor de mercado de R$ 20,8 bilhões, segundo cálculo feito pela Economática.