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Clippings - 21/08/15

Abpip apresenta proposta para venda de campos maduros em terra

A Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP) trabalha em uma proposta para a Petrobras vender de campos terrestres em bacias maduras. Estudos da associação indicam que, apenas na Bacia do Recôncavo, o potencial de produção represado é da ordem de 36 mil barris/dia, superior a produção atual.

Os trabalhos começaram pela Bahia, estado que produz este ano, cerca de 40 mil barris/dia de petróleo, 96% em campos operados pela Petrobras, considerando os dados de janeiro a maio, da ANP.

A ideia da ABPIP é a realização de leilões, promovidos pela agência, com campos agrupados em lotes, permitindo às empresas vencedoras geração de caixa suficiente e escala para sustentar novos investimentos em recuperação de óleo.

A associação delimitou na proposta um projeto piloto, com 44 campos responsáveis, hoje, pela produção de 17 mil barris/dia – menos de 1,8 mil barris/dia em média, atualmente no portfólio da Petrobras.

“Como investidor, acredito que existe interesse muito grande em um lote dessa natureza, a partir de 10 mil barris e ouso dizer que a forma como a Petrobras vem gerindo esses campos, deixa o negócio ainda mais atraente”, avalia o presidente da ABPIP, Marcelo Magalhíes, que também é CEO da PetroRecôncavo.

As taxas de variação da produção operada pela Petrobras registram um declínio de 1,21%, enquanto campos operados por empresas independentes registram uma alta de 6,74% ao ano, considerando a taxa composta anual de crescimento (CAGR). Considerando esses dados, o estudo da ABPIP conclui que a Bacia do Recôncavo poderia estar produzindo mais de 70 mil barris/dia.

O modelo do leilão proposto inclui a concorrência não só pelo valor a ser pago para a Petrobras pelo pacote de campos (análogo ao bônus de assinatura), mas também um compromisso de investimento. É similar ao que a ANP pretende para a rodada de campos marginais de dezembro.

“É uma proposta para salvar a atividade (petrolífera) na região. Se não for a melhor, tudo bem. Mas quel é então?”, questiona o secretário Executivo da ABPIP, Anabal Santos.

Receita em queda na Bahia

O presidente da ABPIP conta que o trabalho foi motivado por uma provocação do governo da Bahia, atualmente liderado pelo petista Rui Costa, que sucedeu este ano, Jacques Wagner, ambos do PT. “Sou daqueles que acha que a Bacia do Recôncavo pode produzir 100 mil barris/dia”, afirma Marcelo Magalhíes.

As receitas do estado com produção de petróleo despencaram este ano, com a queda no preço do Brent. Até junho, os estado da Bahia recebeu R$ 14,643 milhões em royalties e as prefeituras de área produtoras, R$ 13,793 milhões. A receita caiu cerca de 36%, em comparação com ano passado, quando era da ordem de R$ 22 milhões.

“Acreditamos que é uma situação ganha-ganha-ganha: a Petrobras faz caixa e foca em ativos prioritários, as empresas têm reservas para investir e as cidades, aumento de receita com a produção”, resumiu Marcelo. A participação da ANP ainda seria um facilitador para garantir compromissos de investimento e a tranferência da operação.

O estudo será apresentado em Salvador, em um encontro de investidores em outubro e a ABPIP quer levar a discussão para outros estados com bacia maduras: Espírito Santo, Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte (Bacia Potiguar).