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Clippings - 28/06/23

Abyss Solutions em negociações no Brasil

Paulo Martins, diretor regional da Abyss Solutions

Concebida em 2014 por um grupo de quatro pesquisadores da University of New South Wales, em Sidney, na Austrália, a Abyss Solutions, empresa de inteligência artificial e machine learning, rapidamente expandiu, diversificou e internacionalizou a sua atuação. Após iniciar suas atividades na área de infraestrutura aquaviária realizando inspeção em canais subterrâneos, a companhia logo vislumbrou a oportunidade de atender o mercado de óleo e gás, consolidando a sua presença no Golfo do México.

Com escritórios estabelecidos na Austrália, Estados Unidos, Escócia, Emirados Árabes e Paquistão, a empresa está montando uma estrutura de negócios no Brasil para atender a América Latina, sob comando de Paulo Martins, que ocupou os cargos de diretor e vice-presidente da Subsea 7, no período de 2011 a 2020, e presidente da Abespetro de 2012 a 2015. Atualmente, a Abyss já conta com uma carteira de clientes composta, em grande parte, por supermajors em ativos offshore, onshore e terminais marítimos.

“Estamos conversando com todos os players do mercado brasileiro para apresentar o nosso portfólio de produtos e serviços”, garantiu o executivo. Segundo ele, a missão da empresa é “criar soluções autônomas para permitir a inspeção de ativos em escala, utilizando imagem computacional e algorítimos complexos, com reconhecimento de imagem por machine learning e AI”.

Atualmente, a companhia possui como carro-chefe o sistema denominado Abyss Fabric, desenvolvido para substituir o método tradicional de inspeção visual. A tecnologia emprega arquivos de nuvem de pontos e imagens esféricas para digitalizar ativos industriais, cobrindo toda a gama de equipamentos e infraestrutura.

“Este sistema viabiliza a cobertura de 95% de toda a área do ativo, contra no máximo 30% obtido com o método tradicional, gerando importantes insights aos operadores dos ativos, com foco na identificação de pontos de corrosão e danos no revestimento otimizar o planejamento e as campanhas de inspeção”, explicou Martins.

Ainda de acordo com o executivo, o Abyss Fabric elimina a subjetividade existente no método tradicional. Isso ocorre devido a utilização de algorítimos que garantem critérios permanentes de categorização que, por sua vez, serão empregados nas inspeções futuras, permitindo a verificação de tendências e a criação de um plano de manutenção preditiva mais eficaz e preciso.

A Abyss também desenvolveu o o Lantern Eye, um sistema de estereofotogrametria submarina equipado com câmeras próprias, carregada por um ROV de intervenção ou de inspeção, que opera em profundidades de até 3 mil metros, mesmo em condições turvas. A captura de imagens, que ocorre de forma automática, viabiliza a geração de um modelo 3D com precisão submilimétrica. Tanto a tecnologia quanto a metodologia são certificadas pela ABS como método de inspeção UWILD para linhas de fundeio de unidades offshore.

“A grande vantagem do sistema é que o navio não precisa ficar parado para realizar a inspeção/metrologia. Além de inspecionar a amarra cinco vezes mais rápido que o método tradicional, não é necessário encostar no componente a ser medido, forçar o manipulador do ROV, corrigir a medição ou ainda parar o navio quando algum aspecto importante é identificado”, garantiu.

Segundo Martins, a pandemia de Covid-19 acabou ‘ajudando’, por assim dizer, a Abyss, que criou uma versão remota do Lantern Eye. A solução dispensa a necessidade da presença de técnicos da empresa a bordo da embarcação que irá lançar o ROV. Um ‘manual’ foi criado para orientar a operadora do ROV na instalação, calibração e operação do sistema, tendo o suporte remoto de engenheiros da companhia. Ao final, o modelo 3D de alta definição é gerado para investigar o resultado da inspeção e apoiar a elaboração do relatório.

“A tecnologia demanda menos pessoas a bordo (PoB) e reduz os custos de inspeção e manutenção”, afirma.

A Abyss foi desenvolvida com apoio do governo australiano, que ainda confere suporte financeiro às atividades de P&D. Além dos quatro cofundadores, alguns fundos de investimento tem participação na empresa, sendo o AirTree Ventures o seu principal investidor de equity.

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Fonte: Revista Brasil Energia