
Concebida em 2014 por um grupo de quatro pesquisadores da University of New South Wales, em Sidney, na Austrália, a Abyss Solutions, empresa de inteligência artificial e machine learning, rapidamente expandiu, diversificou e internacionalizou a sua atuação. Após iniciar suas atividades na área de infraestrutura aquaviária realizando inspeção em canais subterrâneos, a companhia logo vislumbrou a oportunidade de atender o mercado de óleo e gás, consolidando a sua presença no Golfo do México.
Com escritórios estabelecidos na Austrália, Estados Unidos, Escócia, Emirados Árabes e Paquistão, a empresa está montando uma estrutura de negócios no Brasil para atender a América Latina, sob comando de Paulo Martins, que ocupou os cargos de diretor e vice-presidente da Subsea 7, no período de 2011 a 2020, e presidente da Abespetro de 2012 a 2015. Atualmente, a Abyss já conta com uma carteira de clientes composta, em grande parte, por supermajors em ativos offshore, onshore e terminais marítimos.
“Estamos conversando com todos os players do mercado brasileiro para apresentar o nosso portfólio de produtos e serviços”, garantiu o executivo. Segundo ele, a missão da empresa é “criar soluções autônomas para permitir a inspeção de ativos em escala, utilizando imagem computacional e algorítimos complexos, com reconhecimento de imagem por machine learning e AI”.
Atualmente, a companhia possui como carro-chefe o sistema denominado Abyss Fabric, desenvolvido para substituir o método tradicional de inspeção visual. A tecnologia emprega arquivos de nuvem de pontos e imagens esféricas para digitalizar ativos industriais, cobrindo toda a gama de equipamentos e infraestrutura.
“Este sistema viabiliza a cobertura de 95% de toda a área do ativo, contra no máximo 30% obtido com o método tradicional, gerando importantes insights aos operadores dos ativos, com foco na identificação de pontos de corrosão e danos no revestimento otimizar o planejamento e as campanhas de inspeção”, explicou Martins.
Ainda de acordo com o executivo, o Abyss Fabric elimina a subjetividade existente no método tradicional. Isso ocorre devido a utilização de algorítimos que garantem critérios permanentes de categorização que, por sua vez, serão empregados nas inspeções futuras, permitindo a verificação de tendências e a criação de um plano de manutenção preditiva mais eficaz e preciso.
A Abyss também desenvolveu o o Lantern Eye, um sistema de estereofotogrametria submarina equipado com câmeras próprias, carregada por um ROV de intervenção ou de inspeção, que opera em profundidades de até 3 mil metros, mesmo em condições turvas. A captura de imagens, que ocorre de forma automática, viabiliza a geração de um modelo 3D com precisão submilimétrica. Tanto a tecnologia quanto a metodologia são certificadas pela ABS como método de inspeção UWILD para linhas de fundeio de unidades offshore.
“A grande vantagem do sistema é que o navio não precisa ficar parado para realizar a inspeção/metrologia. Além de inspecionar a amarra cinco vezes mais rápido que o método tradicional, não é necessário encostar no componente a ser medido, forçar o manipulador do ROV, corrigir a medição ou ainda parar o navio quando algum aspecto importante é identificado”, garantiu.
Segundo Martins, a pandemia de Covid-19 acabou ‘ajudando’, por assim dizer, a Abyss, que criou uma versão remota do Lantern Eye. A solução dispensa a necessidade da presença de técnicos da empresa a bordo da embarcação que irá lançar o ROV. Um ‘manual’ foi criado para orientar a operadora do ROV na instalação, calibração e operação do sistema, tendo o suporte remoto de engenheiros da companhia. Ao final, o modelo 3D de alta definição é gerado para investigar o resultado da inspeção e apoiar a elaboração do relatório.
“A tecnologia demanda menos pessoas a bordo (PoB) e reduz os custos de inspeção e manutenção”, afirma.
A Abyss foi desenvolvida com apoio do governo australiano, que ainda confere suporte financeiro às atividades de P&D. Além dos quatro cofundadores, alguns fundos de investimento tem participação na empresa, sendo o AirTree Ventures o seu principal investidor de equity.
Fonte: Revista Brasil Energia