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Clippings - 11/11/15

Acidente pode aliviar pressão na oferta de minério

O rompimento das barragens da Samarco pode trazer maior equilíbrio ao mercado transoceânico do minério de ferro em 2016, apostam analistas. Apesar do desastre ambiental, a menor produção prevista pode aliviar a atual sobreoferta que impera no setor.

Segundo o Citi, considerando os 3o milhões de toneladas de pelotas fabricadas pela mineradora e 12 milhões de toneladas que a Vale deixará de extrair de minério, o acidente vai tirar do mercado 42 milhões de toneladas. O excesso projetado pelo banco para 2016 é de 84 milhões de toneladas.

A vale informou, em comunicado, tarde da noite de terça-feira, que a avalanche de lama e rejeito produzida pelo rompimento das barragens da Samarco danificou a correia transportadora que ligava duas de suas unidades na região de Mariana – Fábrica Nova e Timbopeba. Em razão disso, a produção nas duas unidades terá impacto negativo de 3 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano e 9 milhões em 2015.

A Vale também fornecia minério bruto de suas minas para Samarco usar na produção de pelota
Os cálculos do Citi, que consideram produção similar com teor de 62% de ferro, ainda mostram que o insumo sofrerá pressão no ano que vem, caso a siderurgia chinesa siga com a demanda em desaceleração, acrescenta a instituição. No modelo-base do Citi, a Samarco deixará de produzir potencialmente durante anos.

Mesmo assim, a saída de volumes do mercado transoceânico não resolveria o desequilíbrio. O Credit Suisse espera que em 2016 haja excesso de oferta de 94 milhões de toneladas, saltando para 220 milhões de toneladas em 2017. O benefício sobre os preços pode ser apenas de curto prazo.

Carsten Menke, analista de commodities do banco suíço Julius Baer, diz que as 3o milhões de toneladas da Samarco é responsável por aproximadamente 2% da oferta global de minério. Para ele, o desenvolvimento de novas operações no Brasil e Austrália vai impedir que qualquer efeito positivo sobre o preço dure por muito tempo.

Sua projeção é que o preço da matéria-prima chegue próximo a US$ 4o a tonelada no horizonte de 12 meses. Todavia, a estimativa anterior de US$ 45 para os próximos três meses provavelmente será superada, diz. Um real impulso ao minério só poderia vir no lado da demanda, acrescenta, por meio de estímulos econômicos na China, maior compradora do produto.

“As compras das usinas siderúrgicas chinesas muito provavelmente não vão melhorar, em nossa visão, já que o consumo de aço permanece pressionado por conta do enfraquecimento da indústria manufatureira e da construção”, diz.

Ontem, o Deutsche Bank já havia levantado a possibilidade de o acidente em Minas Gerais aliviar os preços do minério no curto prazo. Para o banco, é possível que o equilíbrio entre oferta e demanda melhore em 2016 como um todo, mas custos relacionados à resolução do desastre podem impactar os balanços.

A tragédia ainda não se refletiu nos, os preços, que foi negociado ontem a US$ 48,24 na China.