Na metade do pregão de sexta-feira passada, as ações do estaleiro OSX foram a leilão na bolsa. A justificativa foi um negócio que representava oscilação acima de 10% para os papéis. Depois do leilão, as ações continuaram a subir e fecharam com alta de 19,2%.
Naquela mesma noite, a empresa informou que iria dar prioridade a projetos geradores de caixa e, ainda, que iria exercer parcialmente uma opção de venda de ações contra seu controlador, Eike Batista, equivalente a US$ 120 milhões. As duas decisões que estavam no comunicado haviam sido tomadas na manhí daquela sexta-feira, durante reunião de conselho que ocorreu das 10h às 12h. A ata dessa reunião foi enviada ao site da CVM apenas na segunda-feira.
As medidas foram vistas como positivas pelo mercado. Por conta das dificuldades enfrentadas pela holding EBX e Batista, a capitalização da empresa e o foco em geração de caixa dão certo alívio aos investidores. Porém, houve também muita reclamação no mercado sobre um possível vazamento de informação.
Dez dias atrás aconteceu um episódio semelhante envolvendo a petroleira HRT. As ações subiram quase 10% a partir do meio da tarde da sexta-feira, dia 10. Já era noite quando a empresa informou ao mercado que, naquele mesmo dia, durante reunião de seu conselho de administração, o fundador Marcio Rocha Mello renunciara à presidência da companhia. A HRT foi questionada pela bolsa sobre a oscilação de suas ações e ela própria relatou o episódio, ressaltando que não tinha como afirmar que o comportamento das ações tivesse relação com a saída de Mello.
Procurada pelo Valor, a OSX afirmou que não comenta oscilações de suas ações e que adota as melhores práticas de governança. Os fatos classificados como relevantes para o negócio são comunicados ao público em geral, tendo como norte os princípios da transparência e equidade.
A CVM não deu entrevista. Em nota, informou que acompanha e analisa as operações e informações envolvendo companhias abertas e adota as medidas cabíveis, quando necessário. E ressaltou ainda que não comenta casos específicos. Essa tem sido a resposta-padrão da CVM para qualquer consulta a respeito de oscilações fortes de ações que chamam a atenção no mercado e causam a desconfiança de que algum investidor tenha tido acesso privilegiado à informação.
Apesar de a CVM não se pronunciar sobre o assunto, uma consulta ao site da autarquia mostra que, somente neste ano, pelo menos um processo foi aberto para análise de informações eventuais de CCX (março), MPX (abril), MMX (abril), LLX (março) e OGX (maio).
De acordo com especialistas ouvidos pelo Valor, quando a motivação para a análise é essa, a autarquia apura como a empresa tem cuidado da divulgação de suas informações. Isso pode incluir a divulgação ou não de fatos relevantes ou até mesmo suspeita de uso inadequado de informações. Uma vez aberto esse processo, será feita uma investigação detalhada, que poderá tanto ser arquivada quanto gerar um processo administrativo sancionador.
Nos últimos meses empresas do grupo EBX têm oscilado fortemente antes da divulgação de notícias relevantes, como operações de fechamento de capital ou negociações envolvendo associações com outras companhias. A EBX, em nota, afirmou que as companhias abertas do grupo seguem estritamente as leis e normas vigentes do mercado.