Petrolífera com 55% dos EUA e outras empresas investirá US$ 100 bilhões no desenvolvimento de 17 campos produtores e na exploração de 8 blocos da Faixa do Orinoco, por 25 anos, comprando a produção a preço de custo, que equivalerá a US$ 19 por barril em um preço de referência de US$ 65
Um acordo anunciado nos últimos dias pelos governos dos dois países impactou o mercado petrolífero neste fim de semana. O acordo confirmado pelo presidente Donald Trump e presidente interina Delcy Rodriguez dará acesso aos Estados Unidos a um quinto das reservas de petróleo Venezuela – 65 bilhões dos 300 bilhões de barris das reservas estimadas do país caribenho, as maiores do mundo.
O acordo prevê investimentos de US$ 100 bilhões no desenvolvimento de 17 campos produtores e na exploração de 8 blocos, por um prazo de 25 anos. A operação será feita por uma nova empresa petrolífera, com participação de 55% do governo dos EUA, e outras empresas privadas ainda não informadas. A produção do investimento poderá ser adquirida a preço de custo do barril pela empresa controlada pelos EUA.
A meta do acordo é aumentar a produção diária de petróleo do país para mais de 1,5 milhão de barris por dia (bpd), que já alcançou um pico histórico de 3,7 milhões de bpd na década de 70, mas despencou para cerca de 700 mil bpd nos últimos anos.
O anúncio foi antecipado pelo presidente dos EUA em suas redes sociais na noite de quinta-feira (28), em postagens eufóricas sobre o que chamou de “o maior acordo de petróleo da história mundial”. O presidente Trump classificou o feito como uma transação histórica, que coloca a Venezuela em uma trajetória de enorme prosperidade e, ao mesmo tempo, fortalece significativamente a crescente relação entre as duas nações.
“Esta transação histórica mais que dobra as reservas de petróleo americanas, aumenta grandemente nosso suprimento de petróleo e reduzirá substancialmente os preços da gasolina para todos os americanos, por um longo tempo no futuro, enquanto ajuda a continuar a colocar a Venezuela em um curso rumo ao tremendo sucesso e à grande prosperidade”, divulgou Trump.
A presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, confirmou o acordo na mesma quinta-feira e, em pronunciamento na noite dia seguinte, também chamou de histórico e detalhando suas condições, defendendo as vantagens para o país.
“Ontem anunciamos um histórico acordo com o governo dos Estados Unidos, que terá um grande impacto na vida de todos os venezuelanos a médio e longo prazo. Estamos comprometidos com um futuro próspero para a Venezuela, para que nós, venezuelanos, possamos olhar para o futuro daqui a um ano, cinco anos, dez anos, cinquenta anos. Estamos pensando na Venezuela do futuro”, afirmou Rodriguez, explicando a adesão do país ao acordo.
“Nosso país possui as maiores reservas de petróleo do mundo. Mas ter recursos no subsolo não basta. Precisamos de investimento, tecnologia, infraestrutura e capacidade produtiva para transformar essa riqueza em bem-estar para o nosso povo”, disse Rodriguez.
Ela acrescentou que é inútil a Venezuela ter reservas de petróleo no subsolo apenas para que elas apareçam em uma estatística, para o país dizer que são as maiores do mundo, sem convertê-las em desenvolvimento para a Venezuela.
“Nossas reservas devem ser transformadas em bem-estar, prosperidade e felicidade para este país e nos permitir recuperar nossa capacidade produtiva para nos consolidarmos como uma potência energética e produtiva”, disse.
No discurso transmitido em suas redes sociais, Rodriguez destacou que a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos, ao mesmo tempo que utiliza capital, tecnologia e capacidade operacional para alavancar a recuperação de um setor estratégico severamente impactado pelas sanções.
Ela chegou a agradecer ao presidente Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio, justificando que escolheu o caminho da diplomacia com os Estados Unidos da América, para transformar diferenças em cooperação, que se traduz em investimento, produção, bem-estar e resultados concretos para os venezuelanos.
Além dos benefícios ao país de geração de maior renda e melhores serviços públicos para a população, a presidente interina da Venezuela previu que o acordo vai contribuir para a segurança do hemisfério e para um mercado energético internacional mais equilibrado e estável.
Segundo a governante, o acordo acertado com os EUA prevê a participação de cerca de 30% na receita da produção gerada à Venezuela, o que poderia representar uma receita de US$ 209,335 bilhões, considerando um preço de referência de US$ 65 por barril, com repasse de U$ 19 para o país.
Para defender a ventagem das condições, ela citou que o último grande projeto para o desenvolvimento de quatro blocos exploratórios na Faixa Petrolífera do Orinoco, foi realizado por meio de parcerias estratégicas durante a abertura do setor petrolífero há 30 anos, com royalties de 1% e um imposto de renda de 34%.
Segundo Rodriguez, o acordo com os EUA, que prevê o desenvolvimento de oito blocos de petróleo em áreas inexploradas na Faixa, com royalties mínimos de 16% e um imposto de renda de 34%.
A governante da Venezuela disse ainda que a meta de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia considera apenas o acordo binacional, mas que o objetivo do seu governo vai além, com a assinatura de outros acordos envolvendo empresas como Chevron, Repsol, Eni, Shell, BP e outras.
“Queremos ser uma potência energética, um grande produtor de petróleo, um exportador significativo de gás e um líder no desenvolvimento petroquímico nacional”, afirmou Rodriguez.
Fonte: Brasil Energia.