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Clippings - 17/12/09

Acordo na Justiça destrava fusão de Braskem e Quattor

Um acordo cujos termos ainda não foram revelados tirou o principal entrave que emperrou durante dois meses as negociações para fusão entre Braskem e Quattor, as duas maiores petroquímicas do país. A acionista minoritária do grupo Vila Velha, Joanita Soares de Sampaio Geyer, firmou acordo com os réus da ação que tramita na 2ª Vara Empresarial do Rio pedindo a suspensão da venda da Quattor, Com isso, pediu a extinção do processo e também do recurso que corre na 14ª Câmara Cível do Rio, onde havia sido deferida uma liminar a favor de Joanita. A desistência foi homologada ontem pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que em sua última sessão do ano havia agendado o julgamento do recurso, como antecipou o Valor.

Com o acordo, Joanita deixa de integrar o quadro de acionistas da Vila Velha, a holding da família Geyer, dona da Unipar e controladora da Quattor. Passa a se dedicar a outros projetos empresariais, informou a assessoria do escritório Teixeira, Martins & Advogados, que a assessoraram em todo o processo. A paralisação das negociações de venda da Quattor para a Braskem foi obtida através de uma decisão liminar no TJ do Rio, pelo advogado Cristiano Zanin Martins. Foi um processo importante porque permitiu o reconhecimento dos direitos de um acionista minoritário de participar de deliberações relevantes da sociedade, destacou Martins, sócio do Teixeira Martins & Advogados.

Procurada, a Braskem, uma das rés no processo, junto com a Petrobras, informou por meio da assessoria de comunicação, que reafirma os termos do fato relevante divulgado em setembro sobre seu interesse no negócio e que a decisão tomada ontem destrava o processo de negociação entre as companhia envolvidas. Para a negociação ir em frente, resta agora acertar a participação da Petrobras no negócio, informou ao Valor uma fonte envolvida nas conversas de fusão para criar uma multinacional brasileira da petroquímica.

A pendência jurídica em torno do grande negócio parece ter sido o último embate na briga entre os herdeiros da família Geyer em torno de seus ativos petroquímicos. Não é a primeira vez que a divisão entre os cinco herdeiros de Paulo Fontainha Geyer coloca em risco um grande negócio. Em 2007, um racha entre os membros da família, envolvidos na disputa pelo controle da holding Vila Velha, quase pôs a perder a criação da Quattor. O grupo liderado por Frank Geyer, filho de uma das acionistas, venceu e deteve o controle da Vila Velha. Joanita e seu irmão Alberto se tornaram minoritários.

Com isso, Joanita, inconformada, recorreu à Justiça, pois julgava ter direitos em opinar sobre a fusão e preservar sua herança. Um acordo favorável a herdeira não era descartado por seu advogado, o que de fato ocorreu. Agora, não tem mais razão para brigar.