O risco de tumulto nos principais aeroportos do país hoje, quando a aviação brasileira deve bater recorde em quantidade de passageiros transportados em um único dia, ficou menor. Os aeronautas aceitaram um reajuste salarial abaixo do que demandavam junto às empresas, cancelando a greve que estava agendada para esta sexta-feira, a partir das seis horas da manhí.
Não queremos prejudicar o passageiro. O movimento será recorde e a perturbação seria muito maior que os benefícios gerados pela paralisação, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Marcelo Ceriotti.
Os aeronautas reivindicavam 8% de reajuste – vão levar 5,6%. Mas os empresários, representados pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), também cederam. Ampliaram os benefícios em cláusulas sociais, com reflexos na renda dos pilotos e comissários.
Até o início da tarde de ontem, predominava o impasse entre empresas e empregados. Essa falta de acordo levou os aeronautas a convocarem greve para hoje. Uma decisão que a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) disse ser temerária por causa do movimento esperado nos aeroportos: um número recorde, de até 400 mil passageiros, é esperado nos principais aeroportos do país nesta sexta-feira.
Vai ser o pico do ano. Nem nas vésperas de Natal nem de Ano Novo o movimento esperado é tão grande, disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz. O executivo afirmou que as empresas também tiveram flexibilidade para permitir o acordo.
Melhoramos as propostas em cláusulas sociais. E mesmo sendo 2013 um ano difícil para a aviação brasileira, as empresas estão dando um reajuste que preserva o poder de compra do trabalhador, disse Sanovicz.
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para este mês, a expectativa é que 16,6 milhões de passageiros utilizem os aeroportos brasileiros, 200 mil a mais do que o registrado em dezembro de 2012, e 800 mil a mais que em novembro deste ano.
Para atender a demanda extra a partir dessa sexta-feira, as aéreas montaram esquema especial. A frota reserva de aviões neste ano é de 15 unidades, ante 12 no ano passado.
O percentual de funcionários das companhias em férias foi cortado pela metade ante os demais meses do ano, para cerca de 5% do contingente e a equipe em solo foi ampliada.
As empresas adiantaram os programa de manutenção das aeronaves, para que absolutamente todas estivessem em condições de operar neste fim de ano. E as férias também foram ajustadas para limitar ao mínimo o pessoal fora da operação, disse o consultor técnico da Abear, Eduardo Jenkins.
As empresas projetam que o pico registrado nesta sexta-feira sinalize um viés de alta para a demanda também para 2014.
Conforme números apresentados ontem pela Abear, o volume de passageiros transportados tende a seguir na casa de 80 milhões de pessoas, com espaço para ganhos de um dígito, se somadas as rotas domésticas e internacionais operadas apenas pelas companhias brasileiras – TAM, Gol, Azul e Avianca.
Para o presidente da Abear, se não houver mudanças radicais de cenário, esses números permitem projetar um cenário um pouco mais favorável para 2014 em relação a este ano.
O cenário é de estabilidade, com um ganho na taxa de aproveitamento dos aviões por causa do ajuste na oferta que vem sendo feito por parte das empresas, afirmou ontem a jornalistas durante encontro na sede da entidade, em São Paulo, o presidente da Abear.
Dados informados ontem pela Abear revelam que em relação a novembro do ano passado houve uma pequena elevação de 0,4% na oferta, medida em assentos-quilômetro ofertados (ASK, na sigla em inglês) e uma expansão de 4,4% na demanda conforme o indicador passageiros-quilômetro transportado (RPK) Essas mudanças levaram o fator de aproveitamento a crescer 3,1 pontos percentuais, um excelente resultado, disse o consultor técnico da Abear, Alberto Febeliano.
Nos 12 meses acumulados de dezembro de 2012 a novembro de 2013 as companhias aéreas transportaram 76,8 milhões de passageiros no mercado doméstico e 4,7 milhões de passageiros no mercado internacional, mantendo o total acima dos 100 milhões de pessoas.
No perãodo, o aproveitamento médio foi de 76% no mercado doméstico e de 76,6% no internacional. Na evolução que leva em conta o movimento total móvel em 12 meses, a oferta mantém-se estabilizada, com 0,03% de evolução positiva marginal em relação ao total móvel anterior.
Já a demanda aérea no país teve variação mais forte, de 0,36%.