
O conglomerado russo Acron chegou a um acordo com a Petrobras para adquirir a unidade de fertilizantes nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas (MS), informou a estatal em comunicado divulgado na última sexta-feira (4/2). O valor do negócio não foi divulgado.
Segundo a Petrobras, a “assinatura do contrato de venda depende ainda de tramitação na governança da Petrobras, após as devidas aprovações governamentais”.
A construção da UFN-III teve início em setembro de 2011, mas foi interrompida em dezembro de 2014.
A venda da UFN III chegou a ser negociada em maio de 2018 com a Acron, um dos principais produtores de fertilizantes minerais na Rússia e no mundo, mas a operação não foi concluída. Na época, o desinvestimento ainda incluía a venda da Araucária Nitrogenados (Ansa, antiga Fafen-PR).
A Acron é uma empresa russa de capital aberto com foco na produção e comercialização de fertilizantes, com vendas em mais de 60 países e ações negociadas na Bolsa de Valores de Moscou e de Londres.
Desafios
“O drama agora é os russos garantirem o gás da Bolívia a preços competitivos com a própria ureia da Rússia”, disse Eduardo Daher, diretor executivo da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).
Segundo o executivo, é preciso ter em mente que o domínio russo no segmento é total – das maiores reservas de gás natural do mundo ao cloreto de potássio e ureia que chegam às propriedades rurais brasileiras.
Para ele, a grande dependência do Brasil reside no cloreto de potássio, e não no nitrogênio, embora o país seja o quarto maior importador global de fertilizantes.
Daher explica que as culturas da soja e do milho não demandam tanto nitrogênio, já que ele é capturado no ar e convertido pela inoculação de suas raízes para alimentar o processo biológico.
Fonte: Revista Brasil Energia