
Em setembro, complexo e Petrobras firmaram acordo para acostagem de 3 plataformas, que também abrange remoção de bioincrustação, disponibilização de energia elétrica e destinação de efluentes
O CEO do Porto do Açu (RJ), José Firmo, disse, nesta segunda-feira (23), que o complexo vem trabalhando para aumentar, de três para sete, a quantidade de plataformas descomissionadas a serem acostadas em suas instalações. Em setembro, a empresa que administra o complexo portuário e industrial no norte fluminense firmou um contrato com a Petrobras para o serviços associados ao acostamento de três plataformas flutuantes. O acordo com a operadora tem duração prevista de três anos e prevê a disponibilidade de cais para acostamento temporário prévio à destinação/reciclagem e serviços especializados para plataformas flutuantes no Porto do Açu.
“A Petrobras contratou o pré-descomissionamento para três plataformas. Estamos trabalhando para estender para sete plataformas no total, de tal forma que possamos receber esses ativos, fazer o trabalho de descontaminação e dar a destinação final”, contou Firmo, durante o evento ‘Diálogo RJ Economia do Mar’, promovido pelo jornal O Globo, no Rio de Janeiro.
O contrato prevê que as plataformas sejam provisoriamente acostadas para posteriormente seguirem para a reciclagem, conforme o novo modelo de destinação sustentável da Petrobras. O Porto do Açu vai realizar a remoção de bioincrustação, disponibilização de energia elétrica e destinação de efluentes oleosos dos tanques. Firmo destacou que o Açu é o único porto brasileiro certificado pelo Ibama para remoção do Coral-Sol.
O Porto do Açu almeja se tornar um centro de excelência de descomissionamento e, paralelamente, tem um acordo com a Vale e com produtores de aço brasileiros para desenvolver um insumo para a indústria siderúrgica com níveis mais baixos de emissões. Firmo explicou que a cadeia do aço representa aproximadamente 8% do CO2 emitido no mundo, o que dificulta o cumprimento das metas globais de descarbonização.
O objetivo do Açu é transformar o complexo num dos principais hubs de descarbonização do HBI (hot briquetted iron), produzindo um insumo menos poluente e, futuramente, com a esperada produção de hidrogênio verde em larga escala no país, substituir o gás natural no processo siderúrgico buscando zerar emissões. “Essa é uma oportunidade de integração industrial que nos vemos como principal hub e que tem muito espaço para ser desenvolvido no Açu”, projetou.
A administração do complexo do Açu pretende crescer como porto-energia-indústria, participando de todas as cadeias de valor. No caso da descarbonização do aço, a meta é obter um aço brasileiro da ordem de 30% menos emissor de CO2. Firmo observa que a atividade de descomissionamento produz sucata que pode ser absorvida pela indústria de aço brasileira, que consome 600 milhões de toneladas de sucata por ano. “Junto com a sucata, se faz a associação de um porto que vai desenvolver indústria e, ao mesmo tempo, desenvolver conexões de serviço e descomissionamento para ajudar na descarbonização do aço brasileiro”, avaliou.
O planejamento estratégico da Petrobras prevê o aporte de US$ 9,8 bilhões em atividades de descomissionamento no período 2023-27, incluindo as atividades de tamponamento definitivo de poços, limpeza e destinação dos sistemas submarinos e plataformas. A previsão é que 26 plataformas da companhia sejam descomissionadas nos próximos cinco anos.
Firmo acredita que o Brasil encontrará um modelo sustentável próprio para a atividade de reciclagem de plataformas como fez na área de águas profundas, para a qual desenvolveu, por exemplo, tecnologias para tubos flexíveis e árvores de natal, olhando para referências das melhores práticas mundiais, mas com inovação. “Temos que nos distanciar do descomissionamento não sustentável. Queremos que o destino final seja feito com alto rigor do ponto de vista de produção ambiental e compliance e ter essa conexão com a indústria siderúrgica brasileira”, comentou.
Fonte: Revista Portos e Navios