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Clippings - 03/06/20

Adaptações nos portos devido à pandemia devem se tornar permanentes

A pandemia do novo coronavírus estabeleceu a necessidade de mudanças nas atividades em diversos setores da economia. Entretanto, ao longo de pouco mais de dois meses de pandemia, algumas mudanças devem permanecer após a crise. No setor portuário, por exemplo, dentre as adaptações feitas no atual contexto e que devem ser permanentes ou mantidas de forma mais habitual, estão a continuidade de algumas atividades remotas e a maior rigidez nos protocolos de higiene e saúde dos portos. Além disso, o atual contexto ressaltou ainda a importância do investimento em novas tecnologias voltadas para o setor.

Para o diretor executivo de operações do Complexo do Pecém, Waldir Sampaio, de maneira geral o setor portuário passará por várias transformações e adaptações, tanto na área trabalhista, quanto na necessidade de implantação de novas tecnologias. Ele afirmou que a atividade home office, por exemplo tem apresentado boa eficiência e que, em função disso, poderá ser implementada em algumas atividades ou funções. Outra mudança ocorrida neste contexto e que deve permanecer, segundo ele, são as reuniões por videoconferência, que vai reduzir custos com viagens.

Além disso, ele destacou que protocolos mais rígidos de saúde serão permanentemente exigidos. A exigência sobre aspectos de higiene e saúde deve ser mantida na maioria dos portos pelo país. Nos portos do Paraná, segundo afirmou o presidente do complexo, Luiz Fernando Garcia da Silva, um dos pontos alterados no plano de contingência portuário e que deve permanecer é a apresentação de relatórios sobre a condição de saúde da tripulação de navios provenientes de outros países.

De acordo com Silva ainda, espaços para lavagem de mãos e de calçados serão mantidos para que essa prática de higiene seja habitual entre os trabalhadores. Além disso, o reforço sobre a higienização dos espaços nos portos também terá continuidade. “O bom costume e a conscientização já foram adquiridos por toda a comunidade portuária”, garantiu. Ele afirmou que as mudanças nos protocolos de saúde referentes à tripulação de navios estrangeiros foram feitas antes mesmo de ter sido decretada pandemia no Brasil.

O diretor de relações com o mercado e planejamento da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), Jean Paulo Castro e Silva, afirmou que é possível que o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) de saúde, como máscaras e luvas, assim como a adoção de protocolos de prevenção se tornem mais frequentes nas operações portuárias, nos casos de navios que venham de países com epidemias, antes mesmo de ser declarada uma pandemia.

Ele ressaltou que haverá maior atenção e monitoramento também sobre as questões de segurança do trabalho. Nesse sentido o uso de tecnologia será um facilitador para que isso ocorra. Como exemplo ele citou que no Porto do Rio de Janeiro foi implantado o Centro de Controle Operacional, no qual uma equipe multidisciplinar de fiscalização acompanha toda a operação de forma remota, por meio do monitoramento por câmeras espalhadas por todo o porto. “No futuro, pretendemos agregar inteligência artificial para monitorar as imagens e alarmar as não conformidades para a tomada de ações mais precisas e tempestivas”, disse.

De acordo com ele, as operações portuárias no Brasil devem se aproximar cada vez mais dos padrões dos portos mais modernos do mundo, nos quais a movimentação de cargas se dá em grande parte de forma remota, com operadores controlando equipamentos portuários à distância. Além disso, o teletrabalho, as reuniões por videoconferência e o trâmite digital de processos devem permanecer para atividades de backoffice, tendo em vista que já foram percebidos, durante a pandemia, os ganhos de produtividade que essas medidas podem trazer.

A implantação de novas tecnologias no setor portuário tornou-se um debate recorrente nesse contexto de crise, em que muitos trabalhadores precisaram se ausentar das suas funções ou trabalhar remotamente. Segundo o gerente de negócios portuários do Complexo do Pecém, Raul Viana todo o mundo corporativo passou a ficar mais “ligado” ao trabalho remoto e também na necessidade de inovação tecnológica.

Ele tem observado que empresas do setor portuário estão investindo em plataformas de telemedicina para todos os seus funcionários, bem como passando a monitorar a temperatura corpórea dos empregados na entrada das unidades com a ajuda de pirômetros e câmeras termográficas. Para ele, a saúde do trabalhador certamente terá um novo grau de cuidado e maior comprometimento das empresas a partir de agora e com a inserção das tecnologias.

A Companhia Docas do Ceará (CDC) afirmou que algumas lições serão tiradas da pandemia, entre elas, a continuidade de alguns protocolos como a higienização correta das mãos, as reuniões online e a desburocratização de alguns processos que antes necessitavam da presença física e passaram a ser resolvidos de forma satisfatória por e-mail.

Sobre este último aspecto, a companhia informou que está se preparando para implantar, a partir do segundo semestre deste ano, o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), do Ministério da Infraestrutura. Com esta plataforma, os novos processos serão todos digitais. A CDC ressaltou ainda que a automação existente nos processos de carregamento e descarregamento de cargas já é realidade no Porto de Fortaleza, com o trigo e o combustível.

A mudança mais importante ocorrida no atual momento e que deve permanecer, para o diretor-presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), Sérgio Aquino, é o reconhecimento por parte do governo federal de que a atividade portuária deve ser considerada como essencial. Segundo ele, já havia um posicionamento neste sentido, porém, enquanto atividade de transporte. No entanto, no atual contexto, percebeu-se que o setor portuário diz respeito à estrutura da cadeia logística e que não apenas é essencial, como estratégico para a estabilidade da balança comercial.

Fone: Revista Portos e Navios