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Clippings - 05/04/22

Adriano Pires renuncia e governo busca novos nomes para Petrobras

Nome do secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, surge na lista de apostas para comandar a petroleira

Agência Senado

O governo e a Petrobras terão que correr contra o tempo para garantir que o estrago causado pelas renúncias de Rodolfo Landim e Adriano Pires não sejam ainda maiores. Com a Assembleia Geral Ordinária (AGO) da petroleira agendada para 13 de abril, o Palácio do Planalto tem apenas oito dias para indicar novos nomes para presidir a companhia e comandar o Conselho de Administração, enquanto a área de Governança & Compliance ainda terá que avaliar as indicações e elaborar os BCIs para serem apreciados pelo Comitê de Pessoas. 

Sem plano B montado para a crise e sem indicações de gaveta, o nome do secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, despontava no final da noite como um dos favoritos a comandar a petroleira. Se confirmado o nome do executivo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltará a ter peso importante na petroleira, após a saída de Roberto Castello Branco em 2019.

Embora o prazo para as novas indicações seja apertado, uma fonte do alto escalão da petroleira adiantou que é possível concluir o processo até antes da AGO, ainda que, na média, os processos de BCI da companhia consumam, em média, de três a quatro semanas. Executivos da companhia argumentam que a maior parte dos nomes indicados anteriormente pelo governo e pelo acionista minoritário já foi analisada, o que permite montar uma espécie de força-tarefa para analisar a questão.

“Quando o nome não tem complicação é rápido. Quando o nome tem complicações é lento. Tudo depende da indicação do governo”, afirmou uma fonte da estatal.

Renúncia de Adriano Pires

A renúncia de Adriano Pires foi confirmada pelo Ministério de Minas e Energia na segunda-feira (4/4). O executivo foi indicado para substituir Joaquim Silva e Luna pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 28 de março

Na carta de renúncia, Adriano Pires argumentou que não poderia transferir o comando da CBIE para seu filho no tempo necessário. 

Com diferença de 24 horas, Landim e Pires renunciaram aos dois maiores cargos da companhia, protagonizando episódios até então nunca vistos na história da empresa. Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro colocou a petroleira no centro dos holofotes ao indicar executivos com conflitos de interesse e pendências judiciais, ignorando as regras de governança da petroleira.

Enquanto o preço do barril do petróleo registrava alta, as ações da Petrobras fecharam em queda, puxadas pelo escândalo das renúncias. O governo não tinha segundo plano para ocupar as duas cadeiras na petroleira e passou a tarde buscando novos nomes de consenso no Planalto.

Embora Adriano Pires e Rodolfo Landim fossem oriundos do setor, as duas indicações foram recebidas, desde o início, com preocupação pelo Conselho de Administração da Petrobras, ainda que parte do mercado tenha reagido bem ao anúncio feito na ocasião. Os executivos eram vistos com reserva pelos atuais conselheiros da petroleira não só pela relação de proximidade com o presidente Jair Bolsonaro, como também pela proximidade com políticos do centrão e com grandes empresários do segmento de gás.

A grande preocupação do colegiado estava relacionada à agenda dos dois executivos na companhia. No caso de Rodolfo Landim pairava ainda o peso do processo penal na 10ª Vara Federal de Brasília, por suspeita de gestão fraudulenta em fundo de investimento, que teria ocasionado prejuízos aos fundos de pensão Petros, Previ e Funcef. O executivo foi denunciado pelo Ministério Público, em 2021, mas o processo judicial que tem relação com a Mare Investimentos, sua antiga gestora, está parado, por conta de habeas corpus.  

Embora tenham alegado razões pessoais, as renúncias de Landim e Pires estão diretamente ligadas a toda a repercussão em torno das suas indicações e ao cenário de resistência que se desenhava para os próximos dias, com risco até mesmo uma queda de braço entre o governo e acionistas estrangeiros na AGO. Especula-se que que alguns grupos de investidores estrangeiros estariam se mobilizando nos bastidores para não votar no executivo. 

Os nomes de Landim e Pires estavam sendo analisados pela área de Governança & Compliance para elaboração de BCI (background checks) e seriam apreciados pelo Comitê de Pessoas, atualmente comandado pelo conselheiro Ruy Flaks Schneider, antes de serem encaminhados para aprovação da AGO. Fontes da empresa afirmam que as primeiras avaliações indicavam pontos sensíveis que deveriam convergir para a elaboração de relatórios finais não recomendando as indicações. 

Feitas em março, as indicações de Rodolfo Landim e Adriano Pires foram costuradas pelo presidente Jair Bolsonaro e tiveram como ponto de partida a crise do preço dos combustíveis e o consequente desgaste da relação com o atual presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna. Pires contava ainda com o aval do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. 

“Tudo isso é lamentável. O governo atual repete os erros do governo anterior, erra na escolha dos nomes e quem paga a conta é a Petrobras”, avalia um ex-conselheiro da Petrobras. 

Essa não é a primeira vez que indicados pelo presidente Jair Bolsonaro ao Conselho de Administração da Petrobras renunciam antes de assumir, após denúncias de conflitos e irregularidades. Em 2019, menos de 30 horas depois de ter seu nome indicado para um assento no colegiado, John Forman, ex-diretor da ANP e da extinta HRT, apresentou sua renúncia ao cargo.

Na ocasião, fontes da petroleira asseguraram ao PetróleoHoje que o nome do executivo não passaria no critério de análise do Comitê de Indicação, Remuneração e Sucessão (CIRS) em razão de condenação pela CVM em 2016 por uso de informação privilegiada na venda de ações da antiga petroleira HRT, onde ocupou o cargo de conselheiro e que certamente a recomendação do órgão para o CA seria pela não aprovação da sua indicação.

O primeiro sinal de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras ocorreu em fevereiro de 2019, quando o então presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, foi demitido após embates por conta da política de preços dos combustíveis. Na ocasião, o Palácio nomeou o general Joaquim Silva e Luna para comandar a companhia.

Um ano e quatro meses depois, Bolsonaro anunciou a demissão de Silva e Luna, que que vem acusando o presidente da República de fazer interferências na petroleira.

A seguir, o PetróleoHoje publica a carta de renúncia de Adriano Pires:

Exmo Sr Bento Albuquerque

Ministro de Estado de Minas e Energia

Foi com muito orgulho, Senhor Ministro, que recebi seu convite para assumir a Presidência da Petrobras. Com mais de 30 anos de vida dedicados ao setor de Óleo e Gás, comecei a trabalhar as condições para cumprir a missão que me foi dada. Vi nessa missão a certeza de poder ajudar a Companhia e o País a enfrentar a atual conjuntura de turbulência e incerteza no cenário mundial.

Senti-me confiante porque constatei o alinhamento de visões em relação ao papel da Companhia neste momento.

Ficou claro para mim que não poderia conciliar meu trabalho de consultor com o exercício da Presidência da Petrobras. Iniciei imediatamente os procedimentos para me desligar do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho. Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazê-lo em tão pouco tempo.

É por isso, Senhor Ministro, que sou obrigado a declinar de tão honroso convite. Agradeço imensamente a V.Exa e ao Senhor Presidente, Jair Messias Bolsonaro, pela confiança depositada em mim, para tão importante missão, e pela deferência e respeito com que fui tratado por V.Excias e por esse Governo.

Ao longo de minha carreira, sempre lutei pelo desenvolvimento do mercado brasileiro de Óleo e Gás. Venho defendendo publicamente a importância de regras de mercado e do aumento da competição, em prol do consumidor e da sociedade, do crescimento do País e do incentivo aos investimentos.

Para concluir, reafirmo aqui o compromisso de continuar nessa luta, que é em favor do Brasil e votos de continuado sucesso na gestão do nosso Presidente Bolsonaro em favor do povo brasileiro.

Com elevado apreço,

Adriano Pires

Fonte: Brasil Energia

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