Empresas aéreas contam com a estabilização do câmbio ou com medidas governamentais que reduzam a carga tributária para evitar reajustes de tarifas como instrumento para preservar a lucratividade em 2013. Executivos do setor veem melhora econômica neste segundo semestre, mas ainda classificam como incerto os horizontes de dólar e de preço do petróleo, duas variáveis que indexam 70% do passivo dessas companhias, enquanto os tributos são 40% das despesas operacionais no setor.
É nesse ambiente que ocorre hoje reunião entre esferas de governo ligadas ao setor. No dia 23 de agosto, o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wellington Moreira Franco, prometeu responder em dez dias às demandas da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que incluem corte tributário sobre salários e combustíveis.
O vice-presidente comercial e de marketing da Avianca, Tarcisio Gargioni, diz que se o governo não atender algumas das demandas do setor e o dólar não se estabilizar, o reajuste de tarifas será inevitável. Vamos buscar aumentar eficiência e cortar custos. A última alternativa será o reajuste de tarifas.
O executivo conta que o maior impacto da valorização da moeda americana ante o real – que saiu do patamar de R$ 2,00 em maio para superar a casa de R$ 2,40 em agosto – ainda não foi totalmente registrado nas companhias aéreas. Custos maiores virão agora, disse o executivo da Avianca, citando o aumento de 16% no preço de querosene de aviação (QAV) em agosto.
A líder de mercado TAM planeja manter a política e tarifas desde que o dólar não volte a dar saltos. Fizemos um ajuste dolorido, disse o diretor de vendas Klaus Kuhnast, cuja companhia cortou entre janeiro e junho a oferta em 10% na comparação com o mesmo perãodo de 2012. Mas nossa demanda cresceu 2%, o que mostra que ganhamos em eficiência. A redução de frequências e destinos atendidos levou ao corte de 811 funcionários.
Segundo Kuhnast, se a moeda americana testar patamares muito mais elevados, as estratégias comerciais voltarão a ser revistas. Nesse caso, medidas que reduzam os custos, como as desonerações tributárias reivindicadas pelo setor ao governo federal, serão bem vindas. O que afeta de imediato as vendas é a incerteza. Bastou o governo fazer o dever de casa de modo a levar o dólar a dar uma parada para as vendas voltarem. Mas o quadro de incerteza precisa diminuir mais.
Segundo a Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), a tarifa aérea média no mercado doméstico teve alta de 0,84% em 2012 ante 2011, atingindo R$ 294,83. Foi o primeiro aumento após três anos consecutivos de redução. Entretanto, a tarifa média no setor aéreo doméstico em 2012 foi 42,77% inferior à taxa média de R$ 515,17 registrada em 2002.
Ainda de acordo com a Anac, o setor aéreo de passageiros registrou no acumulado dos sete primeiros meses do ano baixa de 0,2% na demanda – a primeira vez que há retração nesse perãodo desde 2003, enquanto a oferta teve redução de 5,11%.