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Clippings - 06/12/13

Aéreas têm US$ 2,5 bilhões retidos na Venezuela

A escassez de dólares na Venezuela está afetando as companhias aéreas que operam no país. As empresas vêm enfrentando sérias dificuldades para remeter divisas para as matrizes no exterior e vêm acumulando em caixa uma quantidade cada vez maior de bolívares – a moeda local que, segundo analistas, deve sofrer uma nova grande desvalorização nos próximos meses. Esse será um dos problemas que o presidente Nicolás Maduro terá de enfrentar após as eleições municipais de domingo no país.

O câmbio é controlado no país desde 2003, medida adotada pelo ex-presidente Hugo Chávez para evitar a fuga de capitais. Desde então, todas as remessas para o exterior precisam ser aprovadas pela Comissão de Administração de divisas (Cadivi). Mas a recente crise econômica – com alta inflação, aumento do déficit fiscal, crescimento baixo e, principalmente, a falta de dólares para importações – tem dificultado essa tarefa.

Questionada pelo Valor, a Associação de Linhas Aéreas da Venezuela (Alav) afirma que o atraso na liberação de dólares pelo Cadivi para as empresas do setor já soma US$ 2,5 bilhões. Esse número é relativo às autorizações concedidas pelo órgão para a conversão de bolívares em dólares e a sua remessa ao exterior. As empresas se queixam ainda do aumento da demora para receber os dólares comprometidos pelo órgão oficial.

A aérea mais afetada pelos atrasos é a panamenha Copa. Em seu mais recente balanço, com dados relativos ao terceiro trimestre, a empresa aponta que 11% de sua receita é gerada no país (US$ 257,3 milhões em 2012) e que 38,4% do seu caixa de US$ 1 bilhão estava retido na Venezuela em setembro. Segundo a companhia, esse valor está sujeito a controles cambiais na Venezuela e permanecia pendente de repatriação. Além disso, a empresa diz estar experimentado com frequência atrasos adicionais em converter o caixa gerado por suas operações na Venezuela.

Em volume, a companhia com mais dólares a converter é a American Airlines. A empresa afirma, em balanço relativo ao terceiro trimestre, que tem US$ 608 milhões retidos na Venezuela, de um total de US$ 701 milhões espalhados por bancos estrangeiros. Em dezembro de 2012, o valor retido no país era de US$ 413 milhões, segundo a companhia, que tem um caixa total de US$ 7,7 bilhões.

Como no caso de outras companhias internacionais, as repatriações da empresa têm sido cada vez mais atrasadas, diz o balanço da American Airlines. Flutuações em moedas estrangeiras, incluindo desvalorizações, não podem ser previstas pela companhia e podem afetar significativamente o valor de nossos ativos fora dos EUA e ter um substancial impacto adverso na nossa posição financeira.

A Latam, maior companhia aérea da América Latina e dona da brasileira TAM e da chilena LAN, afirma que seu caixa sujeito a restrições na Venezuela subiu de R$ 104,9 milhões, em dezembro, para R$ 314 milhões (cerca de US$ 133 milhões no câmbio de ontem).

Outra aérea brasileira, a Gol, também vem sendo afetada. Segundo reportagem publicada pelo jornal venezuelano El Mundo, o Cadivi deve US$ 17 milhões à VRG, sua subsidiária no país vizinho. A Gol não cita em balanço quanto tem em caixa na Venezuela.

A espanhola Iberia diz ter € 140 milhões reconhecidos pelo Banco Centra da Venezuela, mas não repatriados. No seu balanço do terceiro trimestre, a empresa diz que entre fevereiro e setembro de 2013, o tempo para repatriar caixa subiu de cinco para nove meses.

Segundo o jornal venezuelano El Universal, o governo propôs recentemente às empresas honrar seus compromissos com títulos da dívida e combustível, além de autorizar a exploração de novas rotas e frequências.

O Valor apurou junto a fontes do governo brasileiro presentes na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Bali, na Indonésia, que a TAM cogita parar de voar para a Venezuela. Procurada, a empresa não quis se pronunciar. A American Airlines disse que continuará operando no país. A Gol e o governo venezuelano não responderam à reportagem.