O Aeroporto de Vitória, um dos gargalos mais emperrados da logística do Estado, deverá ser privatizado na 2ª rodada do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do governo federal.
A previsão é de que, juntamente com o Eurico de Aguiar Salles, outros nove terminais sejam concedidos ao setor privado a partir do 2º semestre de 2017. A notícia foi aprovada pelo governo do Estado e integrantes da bancada capixaba, mas todos querem garantias de que isso não irá comprometer a conclusão das obras.
A informação é do ministro dos Transportes, Maurício Quintela, que em entrevista ao jornal O Globo explicou que o próximo pacote terá um modelo diferente do atual.
A novidade é a licitação em blocos, ou seja, serão leiloados terminais com grande potencial de atratividade juntamente com até outros três menos rentáveis. Dentro dessa lógica – que se baseia nos resultados (receita) –, o terminal da Capital é considerado pelos técnicos como superavitário.
Ainda segundo Quintela, estudos realizados pelo governo mostram que a concessão por blocos tem viabilidade e considera o sistema aeroportuário como um todo. “Esse é o caminho, mas não é o único, porque estamos buscando uma solução para a Infraero,que vai continuar existindo por uma questão estratégica, mas tem que voltar a ter lucro”.
SEM PARAR
A privatização foi bem recebida pelo governo do Estado e por membros da bancada capixaba. Mas todos foram unânimes em dizer que é imprescindível que as obras – retomadas em junho de 2015 e prometidas para serem concluídas em setembro de 2017–não podem parar.
O receio de autoridades e especialistas é que a União deixe de injetar dinheiro no aeroporto capixaba a partir da intenção de privatizá- lo. “Eu sou favorável à concessão. Mas antes disso, a nossa tarefa é fazer com que o aeroporto seja finalizado”, enfatizou a senadora Rose de Freitas, ao reforçar que a questão orçamentária está resolvida.
Para o secretário de Desenvolvimento Estadual, José Eduardo Azevedo, o primeiro objetivo a ser perseguido é a conclusão das obras. “Mas claro que o Estado vê com bons olhos essa possibilidade, afinal, isso abre perspectiva de boa manutenção e de novos investimentos”, avaliou Azevedo. Para o senador Ricardo Ferraço, privatizar é a melhor saída: “Um aeroporto nada mais é do que um shopping center, e não faz sentido o governo administrá- lo.
O que o poder público precisa controlar é o espaço aéreo, por se tratar de uma questão de segurança nacional”, defendeu o parlamentar, ao lembrar da polêmica em 2015, quando o então ministro Eliseu Padilha, hoje ministro-chefe da Casa Civil, falou sobre essa intenção do governo e, posteriormente, voltou atrás. “Não conversei ainda com ninguém, mas sei que esse planejamento é real e favorável”, disse. Procurado para dar mais detalhes sobre Vitória, o Ministério dos Transportes informou por meio de sua assessoria que“ o órgão ainda estuda a melhor alternativa para o setor aéreo, que ainda será apresentada e aprovada pelo Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos”.
FINALIZAçãO
“Eu sou favorável à concessão. Mas antes disso, a nossa tarefa é fazer com que o aeroporto seja finalizado”
ROSE DE FREITAS – SENADORA