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Clippings - 29/12/09

Agnelli diz que estaleiros nacionais não estão aptos para atender demanda da Vale

Com os estaleiros do País todos voltados para atender às demandas por plataformas e embarcações da Petrobras, a Vale não vê alternativa a não ser recorrer a empresas asiáticas para a construção de um navio de 400 mil toneladas que fará uma espécie de “ponte marítima” para o transporte de minério do Brasil para a China. O presidente da Vale, Roger Agnelli, ressalta que gostaria de atender ao desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de construir o navio em território nacional, mas considera que os estaleiros brasileiros não estão aptos para atender a essa encomenda de tão grande porte.

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A Vale, aponta Agnelli, já está produzindo 50 embarcações no Brasil, entre rebocadores, porta-contêineres e chatas para o transporte de minério em Corumbá (MS). Questionado pela reportagem de PortoGente sobre as críticas de Lula e o potencial da indústria naval brasileira, o executivo respondeu que apenas no futuro esse setor deverá responder plenamente às necessidades da Vale. “O navio de 400 mil toneladas que estamos procurando é de grande complexidade. Tecnologicamente, não é nenhum bicho de sete cabeças, mas não temos estaleiro apto para construir. Gostaríamos de fazer no Brasil, tanto que em 2007 fizemos uma concorrência e pedimos que os estaleiros apresentassem ofertas, mas não apresentaram e disseram que não estavam prontos e nem tinham interesse em construir”.

Com a negativa do mercado, a Vale partiu para o exterior e, em 2008, adquiriu 12 navios na China.

Há, também, encomendas solicitadas a empreendimentos localizados na Coréia do Sul. As ações não agradaram ao presidente Lula, mas Agnelli garante que o panorama deverá ser revertido em breve, já que neste ano os estaleiros já enviaram proposta para a construção de embarcações. O problema, para a Vale, não reside unicamente no preço, mas no fato de os estaleiros só estarem aptos a produzir novas encomendas a partir de 2015.

No momento, a Vale adotou a estratégia de pulverizar os pedidos de construção de navios em diferentes estaleiros mundo afora, em especial na Ásia, continente no qual deverá ser construída a embarcação que a empresa pretende utilizar para transportar minério frequentemente para a China.

Além da aquisição do navio, a Vale também pretende construir um terminal portuário na China para reduzir as despesas com transporte de minério para aquele País. Embora tenha descartado a compra de um terminal existente, Agnelli evita dar mais detalhes. “Se houver espaço pra gente poder ter uma área para distribuir minério por lá, gostaríamos de construir [o terminal]. Estamos conversando com o governo chinês para ter maior eficiência na chegada do minério da Vale na China”.

Valor agregado
O presidente da Vale critica o que classifica como um desvio de pensamento sobre agregação de valor na produção de minério de ferro no País. O executivo sempre é cercado de pedidos para agregar valor à commodity, mas considera que as modernas tecnologias adotadas para extração de minério e os investimentos em portos são claros exemplos de agregação do valor. Nesses casos, exemplifica, montes de terra saem do zero e geram importantes divisas com o trabalho da Vale para o Brasil.

A meta de Agnelli é que nos próximos 4 ou 5 anos a Vale passe da segunda para a maior e melhor mineradora do mundo. No entanto, ele lista uma série de obstáculos que a empresa precisa superar. As licenças ambientais para a construção de terminais portuários e hidrelétricas no Brasil, critica, são “grandes problemas”. A morosidade em todo o processo de licenciamento preocupa o executivo, já que o volume de projetos da empresa é enorme e, conforme saírem do papel vão dobrar o consumo de energia e os gastos com transporte da Vale nos próximos anos.