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Clippings - 12/05/10

AIE prevê atraso no pré-sal e em refinarias

GENEBRA – A Agência Internacional de Energia (AIE) considera que a exploração das reservas do pré-sal poderá sofrer atrasos no rastro do impasse da votação de marco regulatório e planos para a Petrobras. Prevê também atrasos em projetos de refinarias.

A AIE estima ser improvável a concretização do plano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ver os quatro projetos de lei do marco regulatório aprovados pelo Congresso antes da eleição presidencial de outubro, na medida em que as atenções se voltam para a campanha eleitoral.

A entidade nota que o debate ainda é intenso sobre os planos de capitalização para a Petrobras, pelos quais diz que o governo cederá 5 bilhões de barris de reservas a ser desenvolvidas pela empresa, permitindo-lhe levantar capital, além da proposta de torná-la operadora obrigatória de todos os novos campos.

Em setembro, a AIE considerou que as propostas do governo Lula, para determinar como presumíveis 50 bilhões de barril ou mais de petróleo recuperável que serão produzidos, não assustavam as companhias estrangeiras.

Na avaliação da agência, que representa interesses de países industrializados, o maior peso do Estado servirá, sobretudo, para garantir que a exploração das gigantescas reservas do pré-sal seja gradual e, portanto, mais lenta, comparado com um sistema no qual considerações do mercado e de companhias dominariam a velocidade do desenvolvimento, e do declínio, da produção.

O pré-sal, conforme a AIE, é a mais significativa fronteira do óleo desde o desenvolvimento no Cáspio e uma das poucas oportunidades atrativas nas quais as companhias internacionais de petróleo podem investir.

Em relatório divulgado hoje, a agência nota, em todo caso, que a produção de petróleo no Brasil aumenta de maneira constante. E com a maior produção em algumas áreas offshore – Cachalote, Frade, Marlin Leste P-53, Marlin Sl 2, Parque das Conchas e a exploração do campo de Tupi até o fim do ano -, a produção brasileira deve passar da média de 2,5 milhões de barris/dia para quase 2,7 milhões de barris/dia este ano.

A entidade diz também que a Petrobras está atualizando seu programa de investimentos e é amplamente esperado que vai atrasar, reduzir ou adiar alguns projetos da refinaria, devido à deterioração das perspectivas para a refinação desde o seu plano anterior, de janeiro de 2009.

Em seu relatório mensal publicado hoje, a AIE baixou sua previsão de demanda mundial de petróleo em 2009 e 2010, respectivamente de 160 mil barris e 220 mil barris por dia.

Sua estimativa agora é de que o mundo deverá consumir este ano 86,4 milhões de barris/dia, ou 1,9% a mais do que no ano passado, que tinha registrado baixa de consumo de 1,4%.