Inspirada pelo bem-sucedido acordo de compartilhamento de voos firmado há pouco mais de dois anos com a americana Delta Air Lines, a Gol anunciou ontem uma parceria de US$ 100 milhões com a Air France-KLM, para a cooperação comercial de longo prazo em rotas entre o Brasil e a Europa.
A Air-France comprará US$ 52 milhões em ações da Gol, equivalentes a 1,5% do capital da brasileira. Mais US$ 48 milhões serão pagos em dinheiro. Desse total, US$ 23 milhões serão usados para desenvolver ferramentas de vendas e sistemas, treinamento e ações de publicidade, e US$ 25 milhões pagos em dois anos, como recompensa pelas sinergias alcançadas. A operação está sujeita à aprovação do regulador antitruste Cade. Mas temos razões para acreditar que teremos aprovação do órgão, disse o diretor de relações com investidores da Gol, Edmar Lopes.
A francesa e a brasileira expandirão o compartilhamento de voos, a venda conjunta de passagens e integrarão seus programas de milhagem. A expectativa é de aumento do fluxo de passageiros e cargas, redução do tempo de conexão, expansão de mercados e cortes de custos. Serão ofertados voos para 318 destinos em mais de 115 países servidos pela Air France, KLM e GOL.
Esse acordo confirma nossa estratégia de estabelecer parcerias duradouras em regiões com relevante potencial de crescimento, disse Alexandre de Juniac, presidente da Air France-KLM, em comunicado. Ele destacou a posição do país como sede da Copa do Mundo e da Olimpíada e a expectativa de crescimento dos negócios e de viagens de turismo no Brasil.
O valor do bilhete e a complementaridade da malha foram fatores-chave para o cálculo do valor da transação com a Air France-KLM, disse Paulo Kakinoff, presidente da Gol, em teleconferência com analistas. Ficou mais fácil fazer a avaliação do negócio depois da parceria com a Delta.
Em dezembro de 2011, a Delta fez um aporte de US$ 100 milhões na Gol, em uma operação que permitiu à americana ficar com 3% do capital da companhia aérea brasileira. Enquanto a estrangeira ampliou o acesso ao maior mercado de aviação da América Latina, a Gol ganhou uma importante parceira com malha internacional, principalmente nos Estados Unidos.
Kakinoff defendeu que a chance de a Gol integrar a aliança SkyTeam é remotíssima pois a empresa permanece como um ’player’ local, mesmo após os acordos de cooperação firmados com aéreas estrangeiras. A SkyTeam conta com 19 associadas, entre elas a Air France, a Delta e a Aerolíneas Argentinas, com quem a brasileira anunciou um acordo de compartilhamento de voos nesta semana.