A Airbus prevê ainda crescimento anual de 3,9% no tráfego aéreo e mais de 10 bilhões de passageiros por ano, segundo o Global Market Forecast 2026-2045
A Airbus projeta que o mercado mundial precisará de 42.060 novas aeronaves entre 2026 e 2045, impulsionado pelo crescimento da economia global, da urbanização, da classe média e da demanda por transporte aéreo.
As estimativas fazem parte da edição 2026-2045 do Global Market Forecast (GMF), divulgada nesta quarta-feira (8), em Londres.
Segundo o fabricante, o tráfego aéreo mundial deverá crescer 3,9% ao ano nas próximas duas décadas, fazendo com que o número de passageiros transportados ultrapasse dez bilhões por ano até 2045. O estudo também aponta uma transformação na malha aérea global, com aumento da conectividade entre cidades de pequeno e médio porte, viabilizada por aeronaves mais eficientes e com maior alcance.
Crescimento da urbanização
O levantamento indica que o crescimento urbano ocorrerá de forma mais acelerada em centros urbanos menores do que nas grandes metrópoles. A combinação desse movimento com a expansão da classe média e o aumento da migração internacional deverá estimular a criação de novos pares de cidades conectadas por voos diretos.
De acordo com a Airbus, aeronaves de nova geração tornam economicamente viáveis rotas anteriormente consideradas de baixa densidade. Entre os exemplos citados estão Lisboa–Recife, operada pelo A321neo, Dublin–Nashville, utilizando o A321XLR, Argel–Kuala Lumpur, com o A330neo, e Taipei–Phoenix, atendida pelo A350.
O relatório também destaca ligações regionais como Riga–Tenerife e Melbourne–Alice Springs, que podem ser operadas por aeronaves como o A220.
Tráfego aéreo
A Airbus projeta que a expansão do transporte aéreo será sustentada por três fatores principais:
- crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) mundial de 2,6%;
- aumento da população urbana em 1,3 bilhão de pessoas;
- expansão da classe média global em 1,4 bilhão de pessoas, equivalente a um crescimento de 34%.
Segundo o estudo, fatores conjunturais, como conflitos regionais e oscilações nos preços dos combustíveis, podem provocar impactos temporários, mas não alteram a tendência de crescimento de longo prazo observada historicamente na aviação.
Ásia-Pacífico
A previsão também aponta que o eixo de crescimento do mercado continuará migrando para a região Ásia-Pacífico.
O estudo identifica forte expansão da demanda em economias como Índia, Vietnã, Indonésia e Malásia. Outro fator destacado é o aumento das viagens internacionais motivadas pela visita a familiares e amigos (VFR – Visiting Friends and Relatives), impulsionado pelos fluxos migratórios globais.
Exigência de mercado
A Airbus estima que serão necessárias 42.060 aeronaves nos próximos vinte anos.
Desse total:
- 22.240 aeronaves atenderão ao crescimento da demanda;
- 19.820 aeronaves substituirão modelos mais antigos.
O fabricante prevê que 81% das entregas serão de aeronaves de corredor único (narrowbody), enquanto 19% corresponderão a aeronaves de fuselagem larga (widebody).
Segundo a empresa, a predominância dos modelos de corredor único reflete a busca das companhias aéreas por aeronaves mais eficientes em consumo de combustível, custos operacionais e emissões de CO₂.
Renovação de frotas
O relatório indica que o envelhecimento das frotas após a pandemia acelerou a necessidade de renovação das aeronaves em operação.
A Airbus projeta que, até 2045, praticamente 100% da frota mundial será composta por aeronaves da geração mais recente, frente aos cerca de 39% registrados em 2026.
Segundo o estudo, essa renovação permitirá às companhias ampliar operações em rotas de menor densidade e em voos de longo alcance utilizando aeronaves mais eficientes.
Carteira de pedidos
A Airbus disse que sua carteira de pedidos reúne aproximadamente 9.000 aeronaves, sustentando os atuais níveis de produção das famílias A220, A320, A330 e A350.
De acordo com o fabricante, mais de 70% da carteira de encomendas da família A320 corresponde aos modelos A321neo e A321XLR, considerados pela empresa adequados para a abertura de novas ligações entre cidades médias e mercados anteriormente não atendidos por voos diretos.
O fabricante também destaca o A330neo para rotas de maior capacidade e o A350 para operações de longo alcance, incluindo sua versão cargueira voltada ao transporte de cargas de alto valor agregado.
Fonte: Aero Magazine.