
A entrega de propostas vinculantes direcionada aos campos de Albacora e Albacora Leste, situados em águas profundas da Bacia de Campos, corre o risco de ser postergada para o final de junho / início de julho. A etapa final do processo de venda dos dois campos estava marcada para ocorrer no sábado (12/6), mas a petroleira deve estender o prazo em função dos pedidos das empresas interessadas.
Diante da complexidade do negócio, alguns participantes solicitaram a postergação do prazo por 30 dias. A expectativa é que a Petrobras estenda o prazo por cerca de duas semanas.
Os ativos são disputados pelos grupos Enauta / 3R Petroleum / Talos Energia / EIG Global Energy Partners – Harbour Energy, PetroRio / Cobra, e Karoon, que, após uma tentativa frustrada de participar em consórcio com a Premier, estaria negociando parceria com a Trident. Há rumores não confirmados de que a Total também poderia estar na disputa.
As propostas não vinculantes foram recebidas no início de fevereiro. Na primeira etapa, todos os interessados optaram por apresentar propostas para os dois ativos. A aposta do mercado é que as ofertas iniciais devam ter girado entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões.
De acordo com o teaser, cada proponente poderia apresentar até três propostas, sendo uma para Albacora, outra para Albacora Leste e uma oferta conjunta, contemplando os dois campos. A expectativa é de que na nova etapa alguns proponentes optem por ofertar preço apenas para Albacora Leste, projeto de menor capex.
O campo de Albacora está sendo vendido integralmente pela Petrobras, enquanto a parcela ofertada de Albacora Leste é de 90%, já que os 10% restantes pertencem a Repsol Sinopec.
Há rumores de que o valor das propostas vinculantes possa ser inferior ao das ofertas não-firmes. Desde o fim de março, as empresas que participam do processo analisam os dados técnicos dos dois projetos, com foco no subsea, poços, unidades de produção, logística, meio ambiente e geologia.
Além do montante a ser despendido com a aquisição do ativo, o vencedor terá que desembolsar pelo menos US$ 1 bilhão em investimentos destinados à produção. O projeto exigirá ainda outra quantia expressiva a ser alocada à campanha de abandono.
O pacote de desinvestimento de Albacora e Albacora Leste transfere todo o custo do abandono para o novo proprietário do ativo. Até então, a Petrobras arcava com a maior parte do montante, ainda que a execução ficasse a cargo do novo operador.
O projeto de Albacora irá requerer maior volume de investimentos. O sistema demandará o afretamento ou aquisição de um novo FPSO, com capacidade entre 80 mil barris/dia de óleo e 120 mil barris/dia de óleo, que substituirá a semissubmersível P-25 e o FPSO P-31, em operação no campo há mais de três décadas.
O novo FPSO não deverá entrar em operação antes de 2026. O projeto exigirá a execução de campanha de perfuração de novos poços e a substituição de algumas linhas.
Parte do reservatório de Albacora é está situado no pré-sal e poderá ser explotado pelo futuro operador. Especialistas afirmam, no entanto, que o pré-sal do ativo tem características bem distintas ao de Santos, sendo menos produtivo.
No que diz respeito a Albacora Leste, não há projeção de necessidade de substituição do FPSO P-50.
Albacora e Albacora Leste produzem cerca de 61 mil barris/dia de óleo. A projeção é que os dois campos possam atingir uma produção total de 120 mil barris/dia a 170 mil barris/dia de óleo.
O teaser de venda de Albacora e Albacora Leste foi lançado em setembro de 2020, sob a coordenação do ScotiaBank. A estimativa da área de E&P da Petrobras na gestão de Roberto Castello Branco era de que o closing da operação fosse formalizado apenas em 2022.
Albacora foi descoberto em 1984 e colocado em operação em 1987, enquanto o campo de Albacora Leste foi descoberto dois anos depois, em 1986, entrando em operação apenas em 1998.
Os dois ativos possuem, juntos um total de 71 poços, sendo 46 produtores e 15 injetores. A estimativa é de que futuramente dezenas de poços tenham que ser abandonados.
Fonte: Revista Brasil Energia