
Empresa vem implementando tecnologias como o abastecimento de energia em terra para navios enquanto estão atracados. Meta do grupo Maersk é alcançar Net Zero até 2040
A Aliança Navegação e Logística estima já ter reduzido as emissões de CO₂ em mais de 46% desde 2008. A empresa afirma estar comprometida com as metas globais da agenda de descarbonização do grupo Maersk que visam diminuição de 60% até 2030 e alcançar emissões líquidas zero (Net Zero) até 2040. A CEO da Aliança, Luiza Bublitz, destacou que a empresa já vem implementando tecnologias, como o uso de energia elétrica de terra (AMP), que permite desligar os motores dos navios quando atracados, reduzindo emissões e ruídos nos portos.
“Temos investido continuamente na renovação e modernização da frota, em soluções digitais que aumentam a eficiência operacional e em iniciativas de descarbonização — como o uso de energia elétrica de terra e a integração com cadeias logísticas multimodais mais sustentáveis”, elencou a executiva.
A empresa também implementou uma calculadora de emissões, ferramenta virtual que estima as emissões de CO₂e (dióxido de carbono equivalente) por contêiner nas rotas atendidas por sua frota de cabotagem, considerando cada etapa logística — rodoviária, aquaviária e entrega porta a porta. Luiza explicou que um navio da Aliança transporta o equivalente a 3.000 caminhões, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), o transporte pelo modal de navegação costeira no país emite, no mínimo, 4,9 vezes menos CO2 do que o transporte rodoviário.
Luiza também contou à Portos e Navios que a Aliança vem ampliando a digitalização de seus processos e o desenvolvimento de soluções. Ela citou uma plataforma online que permite simular e contratar serviços porta a porta de forma mais ágil e transparente, conectando a cabotagem a outros modais. “Hoje, mais do que nunca, as empresas buscam soluções logísticas que aliem eficiência e sustentabilidade. Nesse cenário, a cabotagem surge como uma alternativa estratégica e de menor impacto ambiental”, defendeu.
A CEO da Aliança disse que a empresa segue engajada em projetos estruturantes, como o futuro terminal eletrificado da APM Terminals em Suape (PE), que deverá ampliar a capacidade e a sustentabilidade da malha de cabotagem brasileira. A empresa hoje está presente em 14 portos brasileiros. Ela acredita que a cabotagem tem um papel fundamental na transição energética do país, por ser um modal naturalmente mais limpo, com menor emissão por tonelada-quilômetro.
“Queremos potencializar ainda mais essa vantagem. Cada novo investimento — seja na modernização da frota, em terminais mais sustentáveis como o de Suape (APM Terminals), ou na integração multimodal — reforça nosso compromisso em entregar uma logística de baixo carbono e de alto desempenho para o Brasil”, projetou Luiza.
Atualmente, a Aliança opera oito porta-contêineres com uma capacidade de armazenamento total de cerca de 33.660 TEUs. “Com uma idade média de seis anos, nossos navios de cabotagem são de última geração técnica. Todos os navios de cabotagem da Aliança são certificados para a segurança: da tripulação, da carga e do meio ambiente”, destacou.
A Aliança considera que os corredores verdes representam uma oportunidade concreta para acelerar a descarbonização do transporte marítimo e promover uma transformação estrutural na logística brasileira, contribuindo para tornar a navegação mais eficiente, competitiva e sustentável. Luiza ressaltou que esses corredores marítimos vão ser fundamentais para posicionar o Brasil como referência em transporte marítimo de baixo carbono.
Fonte: Revista Portos e Navios