unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 11/12/13

Alitalia obtém o esperado aumento de capital

A Alitalia finalmente conseguiu os €300 milhões (US$ 412 milhões) de que precisa para continuar operando no Natal, segundo disse uma fonte a par do assunto, concluindo um prolongado aumento de capital que mostrou como a companhia teve trabalho para convencer os investidores de que conseguirá sobreviver.

A companhia área nacional da Itália, tendo embolsado uma quantia que segundo analistas será suficiente para seis meses, agora vai enfrentar seu próximo desafio: uma reunião com sindicatos em que, segundo fontes, ela vai tentar convencê-los a concordar com milhares de demissões.

A chamada de capital foi parte de um resgate maior organizado pelo governo para manter a Alitalia em operação enquanto ela procura um novo parceiro disposto a investir na renovação de sua frota e torná-la lucrativa a longo prazo. A magnitude dessa tarefa é ilustrada pela dificuldade que a companhia teve para convencer os acionistas a injetar mais recursos em seu capital – muitos demonstraram dúvida em relação ao seu plano de negócios proposto ou queriam uma reestruturação mais dura da dívida da companhia.

Uma fonte disse que o serviço postal estatal da Itália, que se comprometeu a ficar com até €75 milhões em ações não subscritas, acabou tendo que participar da chamada de capital, embora ainda não se saiba em que medida. Incluindo as subscrições dos atuais acionistas, os novos investidores e o investimento do serviço postal, a meta de €300 milhões foi alcançada, disse a fonte.

Um porta-voz da Alitalia disse que a empresa vai comentar o resultado do aumento de capital no momento oportuno. O prazo para a absorção dos eventuais direitos não subscritos terminou ontem.

Ao mesmo tempo, a administração da Alitalia deverá se reunir com sindicatos para apresentar os detalhes de um plano industrial revisto, que segundo fontes poderá incluir a demissão de até 2.600 dos 14 mil funcionários da companhia aérea.

Os sindicatos afirmam que partirão para a batalha se a Alitalia anunciar demissões. Qualquer reestruturação dura da companhia para satisfazer um investidor estrangeiro também poderá provocar ressentimentos na já frágil coalizão que sustenta o governo de Enrico Letta.

O aumento de capital, que acabou sendo estendido para novos investidores, que incluem o empresário italiano Antonio Percassi, deverá permitir à Alitalia continuar operando no importante perãodo das festas de fim de ano. Mas com seus prejuízos diários na casa de €700 mil e um endividamento líquido de mais de €800 milhões, a companhia poderá ter de colocar sua frota em terra novamente em seis meses, segundo analistas, se não conseguir encontrar um parceiro forte.

Com o capital novo, os problemas da Alitalia foram varridos para debaixo do tapete por alguns meses, mas até o terceiro trimestre do ano que vem eles reaparecerão, disse um analista de Milão. A Alitalia precisa de muito mais que €300 milhões para renovar sua frota para que finalmente possa começar a ter receitas. O valor mais provável é de algo entre €três a quatro bilhões.

Seu principal acionista, a Air France-KLM, com uma participação de 25%, e vista como um dos que provavelmente sairão em socorro da Alitalia, foi um dos acionistas que esnobaram a oferta de direitos de subscrição de ações. O grupo franco-holandês disse que a promessa da Alitalia de fazer cortes duros não foi suficiente para salvá-la sem que seus credores tivessem que dar como perdida parte de suas dívidas.

Ao longo dos anos outras grandes companhias aéreas como a Air France-KLM, Lufthansa e British Airways chegaram a pensar em uma parceria com a Alitalia – que proporcionaria acesso ao quarto maior mercado de viagens da Europa e transporta 25 milhões de passageiros por ano. Mas elas decidiram que era muito arriscado.

Ontem, o jornal La Repubblica disse que a Alitalia e a Etihad Airways estão em discussões avançadas para um possível investimento por parte da companhia aérea de Abu Dhabi. A Etihad não quis se manifestar. Fontes familiarizadas com o assunto vêm dizendo nas últimas semanas que a Etihad não tem interesse na Alitalia.

Hoje, a Alitalia é muito mais enxuta que o grupo que foi resgatado e privatizado em 2008. Ela possui uma frota mais nova, uma base de custos menor que a da Air France e há muito acabou com benefícios para funcionários como viagens e corridas de táxi grátis. Mas um foco mal direcionado para os mercados doméstico e regional a deixou vulnerável à competição das companhias aéreas de baixos custos e dos trens de alta velocidade na movimentada rota Milão-Roma.