Em torno de 70% das cargas movimentadas anualmente pela América Latina Logística (ALL) no Rio Grande do Sul são de commodities agrícolas e siderúrgicas. Em 2009 a empresa transportou 6,5 milhões de toneladas no Estado, sendo 4,3 milhões de commodities e 2,1 milhões de produtos industrializados de maior valor agregado.
Durante o Seminário de Transporte Ferroviário de Cargas, realizado na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, o gerente de relações corporativas e aduaneiras da ALL no Rio Grande do Sul, Miguel Ângelo Jorge, argumentou que a empresa quer e precisa crescer neste segmento. No entanto, é preciso criar condições por meio de melhorias na atual malha ferroviária gaúcha.
É o caso da Serra gaúcha que trabalha para a reativação do trecho de Caxias do Sul a Carlos Barbosa, em um total aproximado de 50 quilômetros, o que lhe garantiria acesso ao tronco principal da estrada operada pela ALL. Mas o dirigente da empresa sustentou que nas condições atuais a reativação é inviável. Primeiro porque a estrutura da estrada é antiga e obsoleta. Segundo porque o traçado, cheio de curvas e elevações, não permite que uma locomotiva puxe sequer 15 vagões.
Mesmo com esta observação, o dirigente assegurou que a empresa tem interesse na realização de um estudo de demanda para identificar se o investimento é economicamente viável. Segundo ele, a ALL opera onde existem cargas e malha ferroviária em condições. Não podemos pensar no uso dos antigos trens. Precisamos utilizar equipamentos de alta velocidade e capacidade de carga. A operação deve ser inteligente para que, efetivamente, se reduza o custo do transporte.
O mesmo raciocínio vale para o transporte de passageiros. Mantidas as condições atuais da estrada existente de Caxias do Sul a Carlos Barbosa, o máximo é a sua utilização com fins turísticos. Não dá para conceber, por exemplo, que uma viagem de Porto Alegre a Uruguaiana seja feita em 24 horas, como no passado. Precisamos usar trens de alta tecnologia que garantam rapidez e conforto aos passageiros. Para o crescimento do setor ferroviário no País, o dirigente da ALL destaca que existem 11 desafios. O mais preocupante, segundo ele, é a eliminação de gargalos, decorrentes de invasões e passagens de níveis, que dificultam o acesso aos portos. Um estudo apontou a existência, nos 29 mil quilômetros de estradas férreas do País, de 12 mil passagens de níveis críticas, das quais 2,1 mil no Rio Grande do Sul. O gerente da empresa também defendeu a efetiva adoção da intermodalidade como forma de reduzir os custos de logística. Para ele, o transporte rodoviário deve operar em trechos de até 400 quilômetros. Deste limite até 1,5 mil quilômetros a responsabilidade deve ser do ferroviário.