A comunidade científica do Estado de São Paulo ganhou uma segunda nova embarcação, em um perãodo de um ano, para a realização de pesquisas oceanográficas.
Primeiro barco oceanográfico inteiramente construído no Brasil, o Alpha Delphini integra um projeto, submetido à FAPESP pelo Instituto Oceanográfico (IO), da Universidade de São Paulo (USP), no âmbito do Programa Equipamentos Multiusuários (EMU). Foi construído com o objetivo de aumentar a capacidade de pesquisa em oceanografia no Estado.
O projeto também incluiu a aquisição do navio oceanográfico Alpha Crucis, inaugurado em maio de 2012, que já fez até agora sete cruzeiros, incluindo de testes e para fins de pesquisa.
O custo total do barco foi de R$ 5,5 milhões. O programa EMU da FAPESP destinou R$ 4 milhões para a construção da embarcação e o restante – motores e uma série de equipamentos científicos – foi financiado com recursos do próprio IO-USP.
O barco – batizado com o nome de uma estrela binária que orbita a constelação de Delphinus (golfinho, na tradução do latim), vista do hemisfério Norte – tem 26 metros de comprimento e capacidade de transportar cerca de 20 pesquisadores, além da tripulação. Ele foi construído no estaleiro Inace, no Ceará.
A autonomia de navegação do Alpha Delphini é de 10 a 12 dias, dependendo do número de tripulantes, e ele poderá operar em toda a faixa de 200 milhas marítimas da fronteira litorânea.
Primeira expedição
A primeira expedição científica do Alpha começou domingo, dia 14.07, o navio partiu de Fortaleza e atracou dia 17 no Porto do Recife. A expedição vai mapear o litoral de Pernambuco, entre a ilha de Itamaracá e o arquipélago de Fernando de Noronha, além da zona costeira de Recife.
Prevista para durar 12 dias, a expedição faz parte de um Projeto Temático, realizado por pesquisadores do IO-USP em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e com a participação da Agence Nationale de la Recherche (ANR), da França, no âmbito de um acordo entre a FAPESP e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).
O objetivo da expedição é avaliar o papel das regiões oceânica e costeira de Pernambuco como absorvedoras ou liberadoras de carbono e identificar quais zonas atuam de uma forma ou de outra. O grande dilema que o projeto procura explicar é o carbono que quase sempre é visto como vilão, mas ao mesmo tempo é parte integrante de todos os seres vivos.
Para obter informações sobre transporte de carbono nas regiões oceânica e costeira de Pernambuco, os vinte pesquisadores participantes da primeira expedição coletarão amostras de água e de organismos.
Por meio de equipamentos de sondagem, como o CTD (em inglês: conductivity, temperature,depht), será possível obter, por exemplo, dados sobre a condutividade (usada para o cálculo da salinidade), temperatura e profundidade do mar, além da corrente, a velocidade do fluxo e a direção das massas de água.
Já por meio de um equipamento chamado rosette ou carrossel, com garrafas de Niskin de 5 litros, os pesquisadores pretendem conseguir amostras de água de diferentes profundidades para análises químicas e biológicas de aspectos como teor de CO2, índice de pH e composição de nutrientes.
Durante a expedição também serão realizadas coletas de fitoplâncton, para medir a fertilidade da água e o potencial que apresenta para produzir organismos do primeiro nível da cadeia alimentar marinha.