Os transportadores de contêineres podem estar ficando sem opções para controlar o impacto da entrada recente de embarcações de alta capacidade, empurrando navios de menor porte para outras rotas.
O número de porta-contêineres de 8 mil Teus (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) empregados no Pacífico aumentou substancialmente nos últimos anos, enquanto os modelos desta capacidade atuantes nos trades entre Ásia e Europa foram substituídos pela nova geração de super post-panamaxes.
A Clarkson Research estima que 65 navios de 8 mil Teus de capacidade estavam em operação em rotas transpacíficas no início de julho, comparado com apenas 10 unidades no mesmo perãodo em 2007.
O incremento na utilização de embarcações de grande porte nos serviços Ásia-Estados Unidos também foi acompanhado por uma redução na distribuição de navios de outras medidas nestas rotas. Tal tendência é particularmente perceptível entre as capacidades de 3 mil Teus a 3.999 Teus, de acordo com relatório da Clarkson. Os dados também mostram queda de 79 para 22 navios desta categoria durante o perãodo de três anos. Estas embarcações foram transferidas para trades de menor volume ou vendidos para sucateamento.
O quadro também pôde ser observado nos serviços entre Ásia e Europa, onde a utilização de navios de 8 mil Teus subiu de 117 em julho de 2007 para 209 no último mês, enquanto os modelos de 3 mil Teus a 3.999 Teus foram reduzidos de 68 para 21 no mesmo perãodo. O repasse de embarcações para serviços comerciais de menor volume arrefeceu parcialmente o impacto causado pelo influxo dos porta-contêineres de alta capacidade.
No Pacífico, a adição de 472,025 teus de capacidade oriunda de novas embarcações do segmento de 8 mil Teus entre julho de 2007 e 2010 foi compensada pela remoção de 69% dos navios de menor porte (com capacidade entre 2 mil a 4.999 Teus). Da mesma maneira, a adição de navios de alta tonelagem nos serviços entre Ásia e Europa foi balanceada pela retirada de 29% da frota de porta-contêineres com menor capacidade.
A adição de capacidade remanescente nestes trades foi aborvida, onde possível, pela política de slow steaming e emprego de embarcações extras em loops.
Mas a medida de manipular as frotas desta maneira, a fim de minimizar o efeito da entrada das novas super-embarcações, pode estar chegando a um limite, reporta a Clarkson. O remanejamento continuo depende do número de embarcações menores disponíveis para reutilização a partir das linhas principais, sustenta a pesquisa.
Com o declínio na utilização de navios entre 2 mil Teus e 4.999 Teus entre julho de 2007 a 2010, de 79% e 49% em rotas transpacíficas e extremo oriente-europa, respectivamente, o sucesso na absorção de embarcações reutilizadas irá provavelmente depender de um incremento na demanda, conclui a Clarkson.