Análise da Rystad Energy aponta que o valor do Brent pode desbloquear a produção na região até meados de 2030. As receitas governamentais também aumentarão, e Brasil é um destaque, com a Petrobras sendo a maior beneficiária

Com o preço do petróleo Brent a US$ 100/barril, a oferta de 2,1 milhões de bpd adicionais poderiam ser desbloqueados na América do Sul até meados de 2030, prevê a Rystad Energy em análise divulgada na segunda-feira (20).
As receitas governamentais da América do Sul podem aumentar US$ 43 bilhões neste ano a partir dos níveis atuais de produção. E é a Petrobras que mais se beneficiará na região, com alta nas receitas de US$ 13,1 bilhões sob a previsão atual de US$ 89 por barril, em comparação com a projeção de US$ 60 por barril em janeiro.
“A América do Sul agora se posiciona como a fonte mais importante de suprimento adicional do mundo. A região oferece escala, qualidade geológica e relativa estabilidade política exatamente no momento em que o mundo busca alternativas”, destacou o vice-presidente sênior de Pesquisa de Petróleo e Gás da Rystad Energy, Radhika Bansal.
O potencial de crescimento está no Brasil, Guiana e Suriname. Acelerar projetos nos mercados desses países podem gerar mais de 1 milhão de boe/d na próxima década, com o apoio de aproximadamente US$ 33 bilhões em investimentos adicionais em novos campos até 2035.
Na Guiana, a Rystad prevê que com uma otimização, os projetos dos FPSOs de Uaru, Whiptail e Hammerhead podem liberar de 80 mil bpd a 90 mil bpd adicionais. Mas o potencial de crescimento está em antecipar as decisões finais de investimento (FIDs) em vez da expansão de ativos que já existem. Mesmo assim, a principal restrição continua sendo a capacidade limitada dos estaleiros para novos FPSOs.
Além destes três países, a Venezuela se destaca. Em um cenário com o preço do petróleo a US$ 100/barril, a Rystad Energy estima que a Venezuela poderia adicionar 910 mil bpd até 2035, com 57% provenientes de campos existentes nas províncias Leste e Oeste, onde os custos operacionais do petróleo bruto de dureza média giram em torno de US$ 7 a US$ 8 por barril.
Empresas como Chevron, Eni, Repsol e Shell já se movimentaram para aumentar e retomar a produção no país. Segundo a consultoria, uma maior participação em campos subdesenvolvidos, particularmente por meio de parcerias com a PDVSA, desbloquearia ainda mais o potencial de produção.
Também há a região de Vaca Muerta, na Argentina. Até o final da década, a produção de petróleo deverá atingir 1 milhão de bpd e até 2035 os volumes devem chegar a 1,5 milhão de bpd – atualmente, a produção é de 600 mil bpd.
Em um cenário otimista, a produção poderia chegar a 1,8 milhão de barris por dia, ponto em que o oleoduto Vaca Muerta Oil Sur (VMOS) se tornaria o principal fator limitante. A China deverá se consolidar como o principal destino das exportações, com embarques consistentes de petróleo bruto a partir de 2027.
Bansal entende que o crescimento na América do Sul dependerá mais da capacidade de execução, das restrições da cadeia de suprimentos e do ambiente de investimento maior do que dos recursos estarem disponíveis ou da economia.
“Os países que oferecem estruturas fiscais e regulatórias claras estão em melhor posição para acelerar a aprovação de projetos e aproveitar o potencial de valorização dos preços. Aqueles que hesitarem ou forem lentos simplesmente verão o capital fluir para outros lugares”, explicou ele, por fim.
Fonte: Revista Brasil Energia