Prestes a assumir Quattor no Brasil e atenta a oportunidades nos EUA, petroquímica avança na Venezuela, Bolívia, México e Peru.
A Braskem tem apenas dez dias para cumprir o plano que tinha no início deste ano, de anunciar ainda em 2009 a aquisição de uma empresa nos Estados Unidos e começar por aí sua internacionalização. Hoje, aos 30 anos de vida, as fábricas da petroquímica, braço industrial do Grupo Odebrecht, continuam concentradas apenas no Brasil.
Enquanto os planos para os Estados Unidos seguem em banho-maria, a Braskem tem avançado em outros países, concentrados na América Latina, onde, entre 2014 e 2016, entrarão em funcionamento diversos projetos em início de implantação hoje. “A Braskem está entre as 15 maiores petroquímicas do mundo. Nossa intenção é que, em cinco anos, esteja entre as cinco primeiras”, disse o vice-presidente da unidade internacional da companhia, Roberto Ramos. “Devemos dobrar de tamanho neste perãodo.”
E essa previsão é baseada apenas no crescimento orgânico da Braskem, galgado na criação de negócios fora do Brasil – não leva em consideração o salto que a operação terá caso se confirme a compra da Quattor, negociação que vem sendo feita há meses entre as duas empresas e cujo desfecho aguardado para os próximos dias pelo mercado.
Venezuela, Bolívia e México são sedes futuras já confirmadas A mais adiantada é a Venezuela, onde a Braskem prevê dar início à produção em 2013, numa parceria com a estatal Pequiven.
No México, foi firmado há um mês o acordo com a Pemex, empresa local que fornecerá o gás para a unidade. A previsão é que seja inaugurada entre 2014 e 2015, apta a produzir 1 milhão de toneladas de polietileno. “A produção será voltada basicamente para o mercado mexicano, que hoje importa 1,2 milhão de toneladas da resina para dar conta de seu consumo”, explicou Ramos.
Na Bolívia, a Braskem mantém há dois anos diálogos com a YPFB, estatal de gás, para a instalação de uma planta que industrialize o combustível, mas ainda não há números fechados.
Nova perspectiva no Peru
A mais recente promessa está no Peru, onde a empresa tem desde 2007 um convênio com a Petroperu para tirar do papel o plano antigo do governo local de constrair ali um polo petroquimico. Apenas um empecilho vinha segurando o projeto a falta de gás. O combustível disponível no Peru hoje não dá conta nem de seu mercado interno, quanto mais de um pelo petroquimico inteiro.
Descobertas recentes, no entanto, podem ter potencial para aumentar em mais de quatro vezes a atual produção peruana, hoje em 7 milhões de metros cúbicos ao dia. E o caso do campo de Camisea, no sul do país, de onde já estão sendo extraídos os primeiros volumes, e dos quatro poços ainda em fase de prospecção da Petrobras.
“Para que o polo petroquímico se viabilize, estamos trabalhando com uma ampliação da produção para pelo menos 30 milhões de metros cúbicos”, conta Ramos – este é volume necessário para a produção de 1 milhão de toneladas de polieti – leno, capacidade prevista para a planta naquele pais.
A partir das novas perspectivas que o polo petroquímico peruano voltou à mesa de discussões neste fim de ano. As estimativas acerca das reservas da Petrobras, que somente agora começaram a ser dimensionadas, são de que cada poço deva girar em torno dos 5 a 6 milhões de metros cúbicos de gâs — quase a produção inteira atual do pais vizinho, Os volumes, no entanto, informa a Petrobras, não serão confirmados, e portanto, passíveis de extração, antes de 2012.
CAPACIDADE
1 milhão de toneladas ao ano será a capacidade anual de polietileno nas unidades do México e do Peru, sendo dois dos maiores centros do grupo. Ë o equivalente à produção em Camaçari.
NECESSIDADE
30 milhões é o volume necessário de gás para que seja produzido 1 milhão de toneladas de polietileno, matéria prima para o plástico feita a partir do eteno, um subproduto do gás.
Se as reservas de gás da Petrobras no Peru se confirmarem e finalmente viabilizarem a criação de um polo petroquímico no pais, o projeto já nasce com uma alta vantagem competitiva: será o único das Américas voltado para o Oceano Pacifico e, portanto, o mais próximo da China.
“Este seria o maior projeto para produção de plásticos nas Américas do lado do Pacifico”, dimensiona Roberto Ramos, vice-presidente de negócios internacionais da Braskem. “Hoje os maiores polos estão no Golfo do México, na Colômbia e na costa leste dos Estados Unidos”, explica.
Para a Braskem, é a chance de alcançar o mercado asiático, região onde o consumo de produtos da cadeia petroqulmica mais cresce. Com suas plantas concentrados todas em estados da costa brasileira – possui instalações no Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia e Algoas -, a Braskem tem pouco acesso ao outro lado do mundo, e concentra seus clientes entre o mercado interno, Américas e Europa. As exportações para a Ásia não passam de 5/ do total.
“Hoje a Braskem praticamente não atende a China, porque temos que sair do Atlântico para ir para o Pacifico e não é uma rota competitiva. Isso se resolve a partir do momento em que tenhamos uma capacidade produtiva no Pacifico”, explica.
O complexo fabril da Braskem projetado para o Peru, orçado nos primeiros anos entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões, chega ao fim de 2009 numa cifra de US$3 bilhões.
A capacidade será de 1 milhão de toneladas anuais de poliletileno, matéria prima oriunda do gás que é usada na fabricação do plástico. A capacidade é equivalente à unidade que a Braskem possui no polo de Camaçari(BA).
PERSPECTIVA
4 vezes a produção de gás atual do Peru de 7 milhões de metros cúbicos dia, tem que ser quadruplicada para alcançar os 30 milhões necessários para a viabilidade de um polo industrial.
POTENCIAL
US$ 6,5 bi somados, os valores de investimentos projetados para as fábricas na Venezuela, Peru e México chegam quase a US$ 6,5 bilhões até 2016. Empresa projeta dobrar de tamanho a partir das novas unidades.
RUMO À CHINA
• Um polo petroquírnico no Peru seria o primeiro das Américas na costa do Pacífico do continente, o que lhe dá vantagem competitiva peia proximidade da China.
• As exportações respondem por 25% das vendas da Braskem, mas apenas 5% deias vai para Ásia, mercado onde o consumo petroquímlco mais cresce.
• Os principais destinos internacionais das vendas da Braskem são hoje América do Norte, com 33%, América do Sul, também com 33%, e Europa com 27% da receita externa.
Por estar distante, continente responde hoje por apenas 5% do total das exportações da companhia.