A LLX, empresa de logística de Eike Batista, anunciou ontem que fechou acordo definitivo para venda de seu controle para a companhia americana de energia EIG por R$ 1,3 bilhão. O acordo prevê uma operação de aumento de capital da companhia, em que Eike terá sua participação diluída, dos atuais 53% para 21%. O novo grupo terá pela frente a tarefa de quitar ou renegociar R$ 2 bilhões em dívidas da empresa, das quais R$ 518 milhões referentes a um empréstimo-ponte obtido junto ao BNDES, que vencem este mês.
A operação de aumento de capital deve ser iniciada em 20 dias e levar dois meses para ser concluída. Nela, Eike cederá seu direito de preferência sobre a subscrição das ações à EIG. Os minoritários terão seu direito garantido, mas a EIG já se comprometeu a subscrever as sobras A composição societária da LLX, portanto, vai depender da adesão dos minoritários à transação. Hoje, o fim do de pensão de professores canadenses TPP tem 18% da LLX, e o restante é pulverizado.
A LLX trabalha com dois cenários: adesão à oferta de ações por todos os minoritários e compra das ações apenas pela EIG. No primeiro, a companhia americana ficaria com 33% da LLX. No segundo, com 61%. Em ambos os casos, a fatia de Eike cairá para 21%, e a EIG assume o controle da empresa. As ações terão o preço de emissão fixado em R$ 1,20.
Eike, que já deixou a presidência do Conselho de Administração da LLX este mês, manterá o direito de indicar um membro do Conselho. O acordo prevê ainda que os 30% que o empresário tem na subsidiária LLX Açu (responsável pelo porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense) serão cedidos sem contrapartida de valor para a LLX.
O BTG Pactuai ficou de fora da transação da LLX. O que se comenta no mercado é que o acordo foi viabilizado graças à ajuda de Ricardo Antunes, ex-presidente da LLX e hoje presidente da mineradora Manabi, controlada pela EIG. Isso seria um dos pontos para que a relação entre Eike e BTG tivesse se desgastado. O grupo EIG tem US$ 12,8 bilhões sob gestão.
MINORITÁRIO QUER ANULAR ASSEMBLEIA
As ações da LLX subiram ontem 2,98% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a R$ 1,73, a terceira maior alta do pregão. Já os papéis ON (com voto) da MMX, empresa de mineração de Eike, encerraram com a maior baixa do pregão: perda de 6,88% a R$ 1,76.
A OSX (construção naval) se tornou ré de uma ação protocolada semana passada no Tribunal de Justiça do Rio. O autor da ação é a Tramp 011, representante no Brasil da World Fuel Services, que atua no suprimento de combustível para embarcações. O processo trata da OSX-3, I plataforma da OSX construída em Cingapura. Nem a OSX nem a Tramp Oil quiseram comentar a ação.
Ontem, o minoritário da OGX Marcio de Melo Lobo enviou carta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em que pede a anulação da eleição de Julio Alfredo Klein Junior e de Pedro de Moraes Borba, ambos indicados por Eike, para o Conselho de Administração da empresa. Lobo alega conflito de interesse, no caso de Klein Junior, já que ele também é conselheiro da OSX. No caso de Borba, segundo o minoritário, sua candidatura apresentada no dia da assembleia, violando a Lei das S.A.
A CCX, empresa de mineração de carvão do grupo, firmou acordo com a Transwell Enterprises para venda dos projetos de mineração Canaverales e Papayal, na Colômbia, por US$ 75 milhões, em negociação que ainda não foi concluída. (Colaborou João Sorima Neto) (O Globo)