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Clippings - 02/09/13

Ampliado, canal do Panamá pretende redesenhar comércio

Após uma visita ao Panamá quase quatro décadas atrás, o romancista Graham Greene viu o canal tornando-se cada vez menos importante a cada ano, com a passagem de menor tonelagem, menores receitas, um canal raso demais e comportas estreitas demais para os grandes petroleiros. Esse temor de irrelevância apenas se intensificou à medida que os navios em todo o mundo ficaram grandes demais para atravessar o canal. Atualmente, cerca de 50% dos navios porta-contêineres em operação ou encomendados no mundo são grandes demais para atravessar suas comportas.

Os navios panamax, historicamente projetados para cruzar o canal, são hoje quase apenas lambaris. Como se isso já não fosse suficientemente problemático, o derretimento do gelo do Ártico poderá também abrir uma rota concorrente de acesso ao norte. Interessados em defender seu status como uma das grandes vias do comércio mundial, os panamenhos decidiram ampliar o canal em um referendo nacional realizado quase sete anos atrás.

Esse projeto, envolvendo investimentos de US$ 5,25 bilhões, está atrasado quase seis meses em relação ao cronograma original, mas quando a obra for terminada, em meados de 2015, o canal ampliado deverá transformar algumas das rotas comerciais mais importantes entre o Atlântico e o Pacífico. Empresas de logística, como ferrovias, tentam avaliar se a expansão irá, em última instância, aumentar substancialmente os embarques diretos para o leste dos EUA.

Na semana retrasada, celebrando a chegada das novas e gigantescas comportas para o canal, o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, previu que as obras de ampliação vão transformar o setor marítimo mundial. Nós, panamenhos, estamos estabelecendo um marco histórico, disse Martinelli antes do desembarque das comportas de 3,1 mil toneladas.

O canal – mais profundo e mais largo – permitirá a passagem de navios enormes, com até três vezes a capacidade dos maiores que atualmente usam a rota. As autoridades panamenhas preveem que o canal, que comemorará seu centenário no próximo ano, aumentará a tonelagem anual que dá vazão para mais de 600 milhões de toneladas em 2025, das 333,7 milhões de toneladas no ano passado.