São PAULO – Depois de quase oito horas de disputa, o primeiro leilão de energia eólica contratou 1.805 megawatts (ou 783 MW médios) nas regiões Sul e Nordeste do País. No total, foram comercializados R$ 19,5 bilhões. Embora a quantidade tenha ficado um pouco abaixo da expectativa do mercado, o leilão foi bastante disputado, com deságios entre 19% e 31% – maior até que os das últimas hidrelétricas leiloadas no Brasil (o de Jirau foi de 21,6%).
O preço médio, de R$ 148,39 o MWh, surpreendeu até os mais otimistas. “Foi um sucesso absoluto”, afirmou o secretário do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, frisando que o preço mínimo do leilão ficou em R$ 131 e o máximo, em R$ 153,07 o MWh.
Segundo ele, 71 usinas venderam sua energia em contratos de 20 anos, a partir de 1º de julho de 2012. O maior vencedor do leilão foi o Estado do Rio Grande do Norte, com 657 MW de potência instalada. Em seguida, ficou o Ceará, com 542 MW, Bahia, 390 MW, Rio Grande do Sul, 186 MW, e Sergipe, 30 MW. Essa concentração deve ser primordial para definir o local onde as fabricantes de aerogeradores vão se instalar.
Zimmerman destacou que a maioria dos empreendedores são privados Umas das maiores vencedoras foi a empresa Renova, do fundo Infra Brasil, administrado pelo Banco Real. Só ela vendeu 127 MW médios. A CPFL vendeu cerca de 76 MW médios. As estatais do grupo Eletrobrás e a Petrobras venceram alguns lotes.
Para o leilão de ontem, foram habilitados 339 empreendimentos, com capacidade instalada de 10 mil MW. Mas a maioria dos especialistas do setor esperava uma contratação bem menor. O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Lauro Fiuza, afirmou que se fosse contratado entre 2 mil e 2.500 MW de energia seria um sucesso estrondoso. A venda no leilão de ontem ficou um pouco abaixo das suas estimativas, mas deve significar investimentos de R$ 9 bilhões apenas na construção das usinas.
A disputa começou às 10h30 e terminou por volta de 18h. O leilão ocorreu em três fases, sendo que primeira demorou mais de sete horas, com 75 rodadas. As duas outras etapas terminaram em minutos. Segundo presidente do conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Antônio Carlos Machado, a disputa ocorreu sem grandes transtornos. Mas oito usinas participaram por meio de liminar. Nenhuma, no entanto, saiu vencedora do certame.
Com o resultado de ontem, a energia eólica triplica sua participação na matriz energética nacional, de 602 MW para 2.407 MW. “Os preços do leilão demonstraram que o País tem excelentes oportunidades para explorar nessa fonte de energia. Temos vocação para trabalhar com fontes renováveis”, afirmou Zimmerman Ele, no entanto, preferiu não afirmar se o País terá ou não uma política energética apenas para usinaseólicas.
Para ele, o próprio resultado do leilão é a sinalização que tanto os fabricantes queriam para instalar suas unidades no País. “Recentemente estivemos nos Estados Unidos e verificamos preços de energia eólica entre US$ 50 e US$ 80. O leilão apresentou números muito semelhantes, com a vantagem de que no Brasil os parques são muito melhores do ponto de vista de eficiência. Pelo preço que vimos ontem, daqui a pouco os empreendimentos de energia eólica vão poder participar de leilões junto com outras fontes de energia, como a biomassa”, destacou o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner.