A mineradora Anglo American negocia com a LLX, empresa de logística do grupo do Eike Batista, prioridade operacional para embarques de minério de ferro em seu terminal no Porto do Açu, disse
ontem o presidente da unidade de negócios minério de ferro no Brasil da companhia anglo-sul-africana, Paulo Castellari. Como a empresa de Eike decidiu incluir no terminal que constrói em parceria com a Anglo mais berços de atracação para petroleiros do que para navios de minério, a mineradora quer garantir, por exemplo, a preferência na entrada e saída das embarcações.
– Este terminal é dedicado e tem prioridade para minério de ferro. Se o Eike quiser montar estrutura para petróleo, pode e tem capacidade, sem comprometer nossos direitos. O que é importante é manter nossos direitos, de 26,5 milhões de toneladas de minério e o direito de expansão – afirmou Castellari, ponderando que
o relacionamento com o sócio é extremamente sadio.
O Porto do Açu, no Norte Fluminense, foi apresentado como projeto essencialmente de minério de ferro, mas tem se voltado, cada vez mais, para a indústria do petróleo, que, inclusive, deverá iniciar operações antes mesmo do começo do projeto Minas-Rio, para o qual foi concebida a parceria no porto.
O executivo estima que as negociações com a LLX sobre funções e uso do terminal sejam concluídas neste semestre.
Castellari fez um mea culpa pelos atrasos e aumentos no orçamento do projeto Minas-Rio. O projeto teve seu orçamento elevado de US$ 5 bilhões para US$ 8,8 bilhões e o início da operação adiado duas vezes. A previsão inicial era para 2009, passou para 2013 e, agora, 2014.
O projeto Minas-Rio foi comprado pela Anglo do grupo EBX em 2008 por US$ 5 bilhões. É o maior projeto em curso da Anglo no mundo. Ele compreende uma mina e uma usina de beneficiamento em MG, um mineroduto de 525 km, que cortará 32 municípios, e um terminal portuário no Porto do Açu. De lá o minério será
exportado prioritariamente para China e Oriente Médio.
Castellari admitiu falhas na comunicação com a sociedade, o que acabou contribuindo para uma série de ações públicas em 2012, e a falta de integração da própria companhia, o que levou a uma dança das cadeiras e uma reorganização interna, com a criação de um escritório para tratar apenas das licenças ambientais em 2012. A Anglo foi alvo de três ações civis públicas, movidas pelo Ministério Público de MG no ano passado.
Segundo o diretor de recursos humanos, assuntos corporativos, segurança e desenvolvimento sustentável, Pedro Borrego, 90% das condicionantes impostas pelos órgãos de licenciamento ambiental foram cumpridas,
no que diz respeito às licenças de instalação. Ele informou que, entre outubro deste ano e maio de 2014, a empresa vai entrar com pedido de quatro licenças de operação.
A previsão é que a produção inicie no primeiro semestre de 2014 e o primeiro embarque, no segundo semestre daquele ano. A capacidade de produção na primeira fase é de 26,5 milhões de toneladas por ano. O projeto poderá ser elevado a 90 milhões de toneladas no futuro. Serão 5 mil empregos diretos na fase operacional. Mais da metade (60%) das obras físicas do projeto já foram concluídas.