
A Petrobras recebeu uma única proposta na licitação para o afretamento do FPSO do Sistema Integrado do Parque das Baleias, projeto localizado na Bacia de Campos. Apenas a Yinson apresentou oferta para o bid, realizado na quarta-feira (26/5). Embora a proposta comercial ainda não tenha sido aberta pela Petrobras, é dado como certo que o preço da companhia malaia seja maior que o ofertado na licitação original, cancelada em 2020.
De acordo com a apuração do PetróleoHoje, BW Offshore, Bluewater, Misc Behard, Ocyan, Altera e outras empresas já haviam informado à Petrobras que não participariam da licitação, declinando formalmente do processo. Na primeira licitação, apenas a Yinson e Bluewater/Saipem entregaram proposta, sendo que o o consórcio foi desclassificado.
A nova licitação vinha sendo vista com reserva pelas operadoras de FPSOs. Afora o fato de o bid original não ter despertado interesse do mercado, algumas empresas consideravam grandes as chances de a Petrobras optar, mais um vez, por não fechar contrato de afretamento da unidade.
Alta dos preços
A projeção de preço mais alto é atribuída ao novo cenário do setor. Não bastasse o fato de o custo de financiamento ter crescido em meio à pandemia da Covid-19 e à crise do petróleo, houve também aquecimento do preços do aço e de equipamentos de óleo e gás, puxado pela retomada do mercado de FPSOs.
A tendência é que os preços dos FPSOs nas licitações sejam cada vez mais alto, seja sob o modelo afretamento ou de EPC (Engineering, Procurement and Construction). Outro fator que tende a complicar a estratégia das petroleiras, sobretudo da Petrobras, que ainda demandará um número expressivo de unidades de produção, é que as operadoras de FPSOs serão cada vez mais seletivas na escolha dos projetos.
O resultado preliminar da nova licitação coloca a Petrobras diante de novo impasse. Com a Yinson como proponente única e a perspectiva de preço mais alto para o FPSO prevalece a dúvida se a petroleira irá adiante com o processo.
O projeto integrado do Parque das Baleias está previsto para entrar em operação em 2024. Embora listado no plano estratégico 2021-2025, o sistema, que teve o primeiro óleo adiado recentemente, está fora da das prioridades da petroleira, que está focada nos campos de Búzios, Mero e Tupi, no cluster de Santos.
O FPSO requerido para o Parque das Baleias tem capacidade para produzir 100 mil barris/dia de óleo e comprimir 5 milhões m³/dia de gás. O contrato de afretamento da unidade é de 22 anos e meio.
O bid atual para o afretamento do FPSO do Parque das Baleias foi lançado em outubro de 2020, poucos dias após a Petrobras anunciar o adiamento do projeto, cancelando a licitação original. O edital previa a data de entrega de propostas para março, mas o prazo acabou sendo adiado diversas vezes.
A licitação anterior foi lançada em fevereiro de 2018. O processo se arrastou por dois anos e oito meses, sem sucesso. Na ocasião, a Yinson e Petrobras iniciaram processo de negociação direta direcionado ao contrato de afretamento do FPSO do Parque das Baleias, mas não chegaram a um consenso. A proposta acabou perdendo o prazo de validade. Logo em seguida, a operadora malaia arrematou o contrato de afretamento do FPSO de Marlim 2, programado para entrar em operação em 2023.
Antes de cancelar a primeira licitação para o afretamento do FPSO, a Petrobras suspendeu a concorrência voltada à aquisição de bens e serviços ligados ao sistema subsea do Parque das Baleias. O processo era voltado à adequação da malha submarina de gás do ativo e teve, na ocasião, uma única proposta aceita, ofertada pela empresa portuguesa Mota Engil.
A Petrobras informou, na ocasião do cancelamento da licitação do subsea ter havido redução nas curvas de exportação de gás que envolveriam o Projeto Integrado do Parque das Baleias (IPB), o que não era esperado no momento da publicação do edital.
Localizado em águas profundas da Bacia de Campos, o Parque das Baleias é formado pelos campos de Jubarte, que compreende também as áreas de Baleia Azul, Baleia Franca e Pirambu; Baleia Anã, Cachalote, Caxaréu, Mangangá, Pirambu e Jubarte. O polo conta hoje com quatro FPSOs – P-57, P-58, Cidade de Anchieta e Capixaba.
O FPSO Capixaba será desmobilizado do campo em 2022, quando termina o contrato de afretamento com a SBM.
Fonte: Revista Brasil Energia