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Clippings - 20/02/15

Apesar da crise, empresas preveem investir R$ 1,4 trilhão

Investimento de infraestrutura deve alavancar mais R$ 930 bi. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estima que a economia brasileira deve receber R$ 1,38 trilhão em investimentos em indústria e infraestrutura no perãodo entre 2015 a 2018. Se o volume se confirmar, a cadeia produtiva – empresas que recebem encomendas da indústria – deve ter fluxo de negócios de mais R$ 928,82 bilhões ao longo dos quatro anos, informou o banco. Esse efeito na cadeia produtiva até 2018 será 13,71% maior do que no perãodo 2010-2013. O ano de 2014 não faz parte do estudo.

Os economistas do banco avaliam que o fato de a economia estar em desaceleração não deve influir negativamente na previsão. Para eles, os investimentos em infraestrutura são de longa maturação e se manterão estáveis por conta das concessões, o que os torna menos influenciáveis pela conjuntura. Já a indústria é mais suscetível à conjuntura econômica, e pode atrasar um pouco os investimentos, ainda que eles sejam mantidos no horizonte de quatro anos.

“Diferentemente da indústria, a infraestrutura, por estar atrasada há tantos anos, tem excesso de demanda. Depende mais de questões regulatórias”, disse, André Sant’anna, economista da área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico do BNDES.

Os dados levantados pelo banco são usualmente utilizados para 202.5% 5`°’ n1,911 113, 50% 595 planejamento, pois indicam as áreas industriais mais demandadas. O estudo mostra que a construção deve receber o maior volume de demanda: R$ 279,29 bilhões. É 8,6% a mais do que o setor recebeu de 2010 a 2013. A indústria de transformação também vai absorver grande parte dos valores previstos até 2018. Só o setor automotivo deve ficar com R$ 276,56 bilhões a partir deste ano. O volume é 5% maior do que o obtido entre 2010 a 2013, diz o BNDES.

“O efeito direto dos investimentos nas cadeias da área de construção, automotiva e metal mecânica é muito grande. Somados, são R$ 700 bilhões dos R$ 928,82 bilhões previstos”, disse Sant’anna. As projeções consideram apenas a que será produzido no país, expurgando impostos, custos com transporte e de comércio.

É possível identificar, ainda, quais setores terão maior crescimento na comparação com o perãodo anterior. Administração, saúde e educação públicas, por exemplo, verão seu fluxo de negócios aumentar 36,10% até 2018. Eletroeletrônicos receberão fluxo de negócios quase 29% maior no perãodo, em função dos investimentos previstos. Comércio terá impacto 27,7% maior.

As perspectivas de investimento são coletadas pelas gerências setoriais do banco junto a empresas. Também são levados em conta planos de investimentos das próprias empresas já divulgados. As informações são repassadas à área de pesquisa e acompanhamento econômico do banco, que faz algumas estimativas e analisa os dados. O valor de R$ 1,38 trilhão não considera R$ 121 bilhões previstos para demais setores da indústria, valor que, por falta de dados concretos, são estimados pelo BNDES. No estudo referente a 2010/ 2013, as expectativas de investimento levantadas pelo BNDES chegaram a 9o% do total realizado no país.

Os impactos dessa nova perspectiva foram desenhados a partir de dados coletados em meados do ano passado, quando o cenário para 2015 e 2016 era mais favorável e ainda não havia ocorrido o acirramento da operação Lava-Jato. Por isso, alguns números poderão sofrer alteração. Da previsão de investimento de R$ 1,38 trilhão, o setor de óleo e gás – o mais atingido pela investigação da Polícia Federal – responde por R$ 509 bilhões.

O banco costuma revisar as perspectivas de investimento e seus impactos a cada seis meses. A próxima revisão está prevista para maio. “É bem provável que a Petrobras revise seu plano de investimentos, mas até que haja posicionamento oficial da estatal, está mantido o número para o setor de óleo”, disse Sant’anna.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, estima que o plano de negócios da Petrobras, que era de US$ 220,6 bilhões, sofra redução de ao menos 2o% a 3o%. “A própria diretoria, antes da saída de Graça Foster, tinha planejado cortar 3o% dos investimentos previstos para 2015. A perspectiva terá que ser revista. E vai impactar muitas indústrias.”

Lucas Teixeira, economista da área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico do BNDES, admite que a perspectiva é contaminada pelo momento. Mas afirma que investimentos podem ser postergados em um a dois anos, mas mantidos quando se leva em conta o perãodo de quatro anos estudado pelo banco.

O economista Cláudio Frischtak, especialista em infraestrutura e presidente da Inter.B Consultoria, é menos otimista e considera as projeções de investimento do BNDES para a área de infraestrutura difíceis de cumprir. “A expectativa é que o ano de 2015 seja perdido para a infraestrutura e que acabe contaminando 2016 também. É difícil esperar que a conjuntura econômica e a Lava-Jato se resolvam em 2015”, avaliou. Ele espera retomada dos investimentos em infraestrutura em 2017 – o que garante pouco tempo para a recuperação até o final do perãodo estudado pelo BNDES, que é 2018.

Aloísio Campelo, superintendente-adjunto de ciclos econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), considera razoável a projeção de movimentação de recursos na economia originada de investimentos programados pela indústria, mesmo no contexto de atividade mais fraca.

Ele ressaltou a importância dos empreendimentos de longo prazo na indústria brasileira. Campelo lembrou que mais da metade da atividade da indústria da transformação é focada em bens intermediários – como os setores de siderurgia e de papel e celulose -, cujo perfil é de projetos com três ou quatro anos de duração.