A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tem afetado mercados ao redor do mundo. Mas o Brasil, apesar de não fugir a esta regra, tem apresentado números positivos do comércio exterior. Um dos exemplos disso é que a maioria dos portos brasileiros tem reportado nos últimos dias recordes na movimentação portuária.
Para Leandro Barreto, sócio da Solve Shipping, o Brasil está descolado das estimativas de movimentação portuária apresentadas por outros mercados. Ele destacou que os portos brasileiros têm batido recordes na movimentação de produtos como commodities e carnes, por exemplo, e que isso evidencia uma realidade diferenciada no Brasil. “Precisamos ir devagar com as análises generalistas. Afinal, cada rota é uma rota, cada cadeia produtiva tem sua própria característica”, disse.Publicidade
Na análise de Barreto, até o momento o cenário do comércio brasileiro tem andando melhor. E embora as importações tenham apresentado uma queda nas rotas da Ásia e Europa, ele afirmou que este resultado se manteve dentro do esperado. As outras rotas de importação continuam dentro dos mesmos patamares.
O consultor Nelson Carlini, afirmou que de modo geral houve queda na movimentação portuária no Brasil em razão da paralisação de empresas ao redor do mundo. Ele lembrou que ocorreram cancelamentos de algumas escalas devido à diminuição no número de navios colocados em algumas linhas. O tempo de entrega das mercadorias também ficou alongado o que “perturba” ainda mais a lógica do mercado internacional principalmente das empresas que dependem de múltiplas fontes de abastecimento.
A respeito da aparente escassez de contêineres no mercado global, Carlini afirmou que a retorno no funcionamento das empresas comerciais, como shoppings e restaurantes deve permitir a retomada dos ciclos comerciais e os contêineres começarão a “girar novamente”.
Ele explicou que a falta momentânea de contêineres se deu pela falta de realocação em locais necessários. “O que ocorreu foi muita ida de contêiner frigorífico para entrega no mediterrâneo, norte da Europa e China e os contêineres, por demora da operação ou por fechamento das empresas consumidoras, acabavam ficando nos locais de destino e não retornavam ao local de origem”, disse.
Como forma de auxiliar terminais e portos brasileiros que estão sendo afetados pela pandemia do coronavírus, Carlini acredita que o governo pode postergar pagamentos de outorgas e permitir adiamentos de investimentos comprometidos para períodos mais favoráveis.
Para o consultor Frederico Bussinger é difícil fazer uma análise consolidada sobre o impacto do coronavírus no atual momento. “Toda análise que se faça hoje será parcial”, disse. Mas, de acordo com ele, é importante observar que não há um impacto homogêneo em todos os setores portuários. Para Bussinger houve queda no mercado de carga geral com a redução na movimentação de contêineres. Já no quesito commodities a queda acentuada foi na movimentação de minério.
Fonte: Portos e Navios