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Clippings - 06/11/20

Apesar da pandemia, portos esperam encerrar 2020 com crescimentos na movimentação

Além de não pararem suas atividades em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), muitos portos pelo país bateram recordes de movimentação e já projetam terminar 2020 com aumento na movimentação em relação a 2019. A perspectiva também é que o próximo ano o crescimento continue, sem contar na expectativa por novos investimentos portuários.

A Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) prevê terminar o ano com a movimentação total de 52,2 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 4% no total movimentado em comparação com o ano de 2019. De acordo com o diretor de relações com o mercado e planejamento, Jean Paulo Castro e Silva, tal projeção se fundamenta na expectativa de crescimento de 5% do Porto de Itaguaí, impulsionada pela recuperação na movimentação de minério de ferro da Vale, que foi reduzida no ano passado como consequência do acidente na barragem de Brumadinho. “Esse crescimento do minério de ferro mais que compensou a queda em outros tipos de carga em função da pandemia”, disse Silva.

Segundo ele, houve desempenho positivo também do ferro gusa e do trigo operados no Porto do Rio de Janeiro que, na comparação de janeiro a setembro de 2020 com o mesmo período do ano passado, apresentaram um crescimento de 48,4% e 6,1%, respectivamente.

Os portos do Paraná fecharam o mês de outubro com um acumulado total de 49 milhões de toneladas de cargas movimentadas (importação e exportação). O volume representa um aumento de 9,6% em relação as 44,7 milhões de toneladas movimentadas de janeiro a outubro de 2019. Caso os portos façam, nos próximos dois meses, as mesmas 8,5 milhões de toneladas registradas em 2019, este ano deverá ser encerrado com cerca de 57,5 milhões de toneladas, 8% a mais em relação a movimento registro no ano anterior.

A companhia afirmou ainda que apesar de todas as adversidades, 2020 tem sido um ano de recordes para a movimentação dos portos do Paraná. As movimentações históricas foram nos meses de março (quase 21% maior que em no mesmo mês de 2019), abril (crescimento de 31%) e maio (44,55%). O destaque foi para o segmento de granéis sólidos, em especial na exportação.

Já o Porto de Pecém prevê queda na movimentação este ano, assim como outros portos que possuem as mesmas características, em função da pandemia. “Somos um complexo que possui um Porto-Indústria e grande parte dos nossos clientes sofreram com a pandemia, sendo, assim, obrigados a fechar fábricas, suspender atividades”, explicou o gerente de negócios portuários do Complexo, Raul Viana. Isso se refletiu diretamente na movimentação do porto que deixou de importar e exportar parte das mercadorias.

Apesar disso, o granel sólido, que responde por quase metade da movimentação do terminal ao longo dos últimos anos, com destaque para o minério de ferro e o carvão mineral, tiveram participação inalterada este ano. Além disso, o porto apresentou movimentação positiva em 2020 nas frutas frescas, placas de aço, produtos médico-hospitalares, produtos eólicos, sal, celulose, arroz e cereais. A navegação de cabotagem teve um bom destaque este ano. Viana afirmou ainda que a safra de frutas nesse ano terá aumento de pelo menos 30 a 40% maior que 2019.

O porto prevê constantes melhorias na infraestrutura para 2021, como é o caso da aquisição de novos guindastes e equipamentos de pátio, que servirão para aumentar a produtividade. Além disso, planeja aumentar a capacidade operacional com a entrega de um novo berço de atracação, uma nova ponte de acesso aos píeres, além de um novo portão de acesso (GATE 2) ao Terminal Portuário do Pecém.

Para 2021, os portos do Paraná têm a expectativa de algumas obras importantes, em especial a derrocagem do complexo rochoso conhecido como “Palangana”. A ordem de serviço já foi assinada. A obra deve ocorrer ainda no primeiro semestre do próximo ano e vai permitir a retirada do complexo de pedras, que são obstáculos para a navegação na entrada do Porto de Paranaguá. O investimento é de R$ 23,2 milhões, em recursos próprios da empresa pública Portos do Paraná.

Silva, da CDRJ, afirmou que existem vários investimentos previstos para os próximos anos, em função de ações que devem ser concretizadas em 2021. Somando os investimentos previstos nos contratos de arrendamento em vigor, os operadores dos portos do RJ irão investir em torno de R$430 milhões até 2023.

Além disso, a companhia espera que no próximo ano sejam renovados os contratos de arrendamento dos terminais da CSN e Sepetiba Tecon, cujos investimentos previstos superarão R$1 bilhão. Somando-se a isso, existe a expectativa de concretização de três novos arrendamentos no Porto de Itaguaí, sendo dois terminais de Granéis Sólidos e um de Granéis Líquidos, com investimentos por parte dos novos arrendatários em torno de R$ 570 milhões ao longo dos anos de contrato.

Fonte: Revista Portos e Navios