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Clippings - 17/09/10

Apesar do câmbio, Lanxess vê no Brasil base de exportação

DUSSELDORF – Às margens do rio Reno, na região oeste da Alemanha, a pequena cidade de Dormagen abriga um grande complexo industrial químico. A paisagem, repleta de imensos galpões e chaminés, todos anivelados, revela a organização típica alemí e a imponência de uma das mais importantes indústrias do país. Em um dos grupos de galpões, a fabricante de especialidades químicas Lanxess abriga cerca de mil funcionários, centros técnicos e áreas de produção. Logo na entrada, observa-se um mapa que mostra os centros produtivos da multinacional e o Brasil aparece em destaque.

No segmento de borrachas sintéticas de alta performance – usadas principalmente pela indústria de pneus -, o Brasil tem três das seis unidades produtivas da companhia: uma em Duque de Caxias (RJ), outra em Triunfo (RS) e a terceira e em fase de ampliação, em Cabo de Santo Agostinho (PE). Além das fábricas brasileiras e da unidade de Dormagen, as cidades de Port Jérôme, na França, e a de Orange, nos EUA, também fazem parte do circuito de produção da borracha.

O destaque do Brasil, no entanto, se dá principalmente na influência que o país tem dentro do mercado latino-americano, que hoje representa 13% das vendas globais da companhia. Nós nos sentimos em casa no Brasil. Foi nossa intenção aumentar a presença no país e tivemos sucesso. Particularmente, durante a crise, fomos capazes de exportar do Brasil uma quantidade substancial de produtos, afirmou, em entrevista ao Valor, o presidente mundial da Lanxess, Axel Heitmann.

Em 2008, com um faturamento de € 530 milhões, os negócios no Brasil representavam cerca de 8%, dos € 6,5 bilhões faturados globalmente pela empresa, que tem equipes em 23 países. Como reflexo da crise, em 2009, a participação brasileira nos negócios da companhia caiu um pouco, para 7,2%, mas já nos três primeiros meses deste ano, o faturamento no país mostrou recuperação, com avanço de 125%, para € 140 milhões.

Segundo o presidente da companhia no Brasil, Marcelo Lacerda, o Brasil está em terceiro lugar dentre os países mais importantes para a Lanxess em termos de vendas a clientes diretos (excluindo-se as vendas dentro do grupo), ficando atrás apenas atrás da Alemanha e dos EUA.

O foco da multinacional é fortalecer o posicionamento da subsidiária brasileira como uma plataforma de exportação. Mesmo diante de um câmbio que, no mínimo, dificulta esse caminho, o forte mercado doméstico e as boas perspectivas para o setor automobilístico brasileiro dão base para esta estratégia da companhia. A alta do real é um desafio. Mas, há muitos desafios no Brasil, como a infraestrutura, os altos impostos e inclusive a alta criminalidade. Confiamos que o governo se atentará a isso e, quando a indústria automobilística quiser aumentar sua capacidade, estaremos no centro do mercado, afirmou Heitmann.

Hoje, a Lanxess Brasil produz apenas borracha e pigmentos de óxido de ferro – o chamado pó xadrez, utilizado nas áreas de construção civil e cosméticos. No país, os principais clientes da fabricante alemí no negócio de borracha são os grandes produtores de pneus, como Michelin e Goodyear. A principal matéria-prima utilizada é o butadieno, cujo grande fornecedor é a Braskem. Já os seus competidores no mercado de borracha sintética são as multinacionais DSM e Karton, a nacional Nitriflex, além dos produtos importados, que vêm ganhando força com a valorização do real.

Dessa forma, a substituição das importações por produtos fabricados por aqui seria uma oportunidade de crescimento no segmento. Quando questionado se há a possibilidade de se trazer para produção no país mais alguma das 13 unidades de negócios da Lanxess – que envolvem desde borracha para chicletes e sandálias Havaianas, até colorantes e materiais para produção de couro -, Heitmann se esquivou. Vai-se ouvir mais de nós no futuro (no Brasil), mas ainda é muito cedo para fazer qualquer anúncio. Aproveitaremos oportunidades tanto orgânicas, quanto inorgânicas, afirmou.

Durante a crise, os resultados mostraram as dificuldades da empresa, com um recuo de 78% no lucro líquido global. Diante disso, a Lanxess elaborou um plano de estabilização que envolveu corte nos salários e redução de custos. A meta desenhada pela empresa é alcançar uma economia de € 290 milhões em 2009 e 2010. Mas, até agora, mesmo demonstrando recuperação, a companhia ainda não retornou aos níveis de capacidade utilizada anteriores à crise global e as perspectivas são de contínua pressão nos custos diante da elevação dos preços das matérias-primas. Nós já deixamos a crise para trás e vamos investir, garante ele.