unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 28/11/14

Apex quer aumentar exportações de empresas apoiadas

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) quer melhorar o desempenho dos projetos setoriais que apoia, aumentar o número de empresas exportadoras e a fatia delas nas exportações totais brasileiras.

Na semana passada, a agência participou do Café Show, em Seul, na Coreia do Sul, em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, em inglês). A feira reuniu 520 empresas ligadas aos setores de café, chás e outros produtos do ramo de alimentos de vários países. A promoção dos cafés especiais brasileiros em vários mercados é um dos projetos realizados pela Apex.

Nos nove primeiros meses deste ano, as vendas externas das companhias participantes de projetos da Apex somadas a todas as ações realizadas pela agência somaram US$ 36,9 bilhões, representando 34,63% da receita total das exportações do país.

No mesmo perãodo de 2013, esse percentual foi de 24,51%, com um valor de US$ 27,339 bilhões. Em todo o ano passado, esses embarques das empresas apoiadas pela Apex geraram US$ 39,298 bilhões, ou 25,26% da fatia da receita com todas as vendas externas do Brasil.

Esse percentual vem crescendo ano a ano, segundo Christiano Lima Braga, gerente executivo de projetos setoriais da Apex-Brasil. Em 2007, por exemplo, a participação gerada pelas ações da Apex nas exportações totais do país era de 19,57%.

Este ano, até setembro, a Apex apoiava 10.373 empresas, ante 12.880 empresas em todo 2013. São companhias de diversos setores produtivos da economia brasileira, que exportam para mais de 200 mercados.

Os chamados projetos setoriais, atualmente em mais de 70, agregam desde o setor de alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos, casa e construção, cosméticos, até equipamentos médicos e hospitalares, tecnologias de informação e moda, entre outros.

Com dois anos de duração, os projetos da Apex geralmente são renovados e contam com recursos da agência e contrapartida das empresas, que pode variar, mas normalmente é de 50% do montante total empregado. Nesse perãodo, os projetos são reavaliados e aperfeiçoados por meio de seus indicadores.

As ações da Apex variam conforme o mercado e o setor, mas normalmente consiste em participação das companhias em feiras internacionais, missões aos países, além de trazer ao Brasil compradores e jornalistas do exterior.

Uma das formas para ampliar mercados e a fatia das empresas participantes dos projetos nas exportações do país é uma metodologia de inteligência de negócio que vem sendo estabelecida pela Apex para analisar a oferta “exportável” e buscar segmentos ou empresas que tenham sido competitivas internacionalmente. É feito o “cruzamento” de dados sobre setores com maior dinamismo no comércio internacional.

Observou-se que muitos desses setores já recebem o apoio da agência, explica Braga. Uma das intenções é buscar mais empresas para determinado projeto, como por exemplo, nos setores fármaco-químico e biotecnologia.

Por outro lado, pode-se verificar algum segmento que apresenta muito dinamismo comercial , mas que estava fora da carteira de projetos da Apex.

Avaliar se a estratégia está no caminho certo é vital, diante de mercados que sempre se modificam e consumidores cada vez mais exigentes. A Apex utiliza sete indicadores principais, entre eles, o valor das exportações, a taxa de crescimento e a participação das empresas exportadoras do projeto no ramo em que atuam.

Cada indicador tem um peso maior, a depender do projeto. Por exemplo, no caso dos cafés especiais, não existe muito crescimento de volume das exportações, mas sim de valor dos embarques.

Por meio do sistema de sete indicadores, a agência pode também avaliar a maturidade e a evolução dos projetos e, por outro lado, favorecer o aperfeiçoamento da estratégia e melhora da internacionalização da empresa, observa Braga.

A agência já diversificou sua atuação em projetos nos últimos oito anos e deverá atrair produtos e serviços mais tecnológicos, como nas áreas de Tecnologia de Informação (TI) e economia criativa (setor audiovisual, por exemplo). De cinco anos para cá, a diversificação tem sido o foco da Apex, diz Braga.

Outro foco é o design, voltado à inovação, para que as empresas consigam melhorar seus produtos e serviços, agregando valor e gerando mais lucratividade. Desta forma, ganham mais competitividade, afirma Ricardo Santana, diretor de negócios da Apex-Brasil. Outros dois pontos a serem prioridade da agência são a sustentabilidade e a defesa de interesses junto ao setor privado brasileiro, diz ele.

Entre os setores que vêm apresentando destaque nos projetos da Apex estão o médico-hospitalar, com muitas empresas se internacionalizando; o de proteína animal, com resultado de grande valor gerado pelas exportações; o de café, com enorme potencial para crescer; o de tecnologia (serviços de software); máquinas e equipamentos; revestimento/cerâmica e artes plásticas contemporâneas, com crescimento de mais de 300% do volume exportado nos últimos cinco anos, sobretudo para os mercados nos EUA e na Europa, enumera Braga.

Para o diretor de negócios Ricardo Santana, a agência tem o maior centro de informações de inteligência comercial e competitiva das Américas, com interação forte com o setor privado, apoiado também pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A Apex mantém ainda nove escritórios espalhados pelo mundo.

Conforme Santana, a Apex consegue atingir as companhias que ainda estão iniciando o processo de internacionalização até aquelas que já atingiram essa etapa.

A Apex prioriza atualmente 33 mercados espalhados pelo mundo, conta Santana. Mas ele considera que a promoção comercial precisa evoluir. ”Os produtos precisam carregar com eles também um pouco mais de informações do país”. Em sua avaliação, é preciso também avançar em marketing de relacionamento. “Muitas decisões são tomadas em encontros informais”, diz.