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Clippings - 06/05/26

APM não descarta antecipação de investimentos em Suape

Em cenário com altas taxas de ocupação nos principais Tecons do país, empresa identifica oportunidades em diferentes regiões. Diretor acredita que capacidade é proteção contra reflexos de ‘desarranjos’ na cadeia logística global

A APM Terminals avalia a antecipação de investimentos para seu novo terminal em Suape (PE). Com início de operações previsto para o segundo semestre de 2026, o terminal da APM em Pernambuco terá capacidade inicial para movimentar até 400 mil TEUs por ano. O diretor de investimentos da APM, Leonardo Levy, disse à Portos e Navios, que as expectativas são animadoras para Suape, mas que a empresa está atenta às oportunidades no Brasil como um todo, num cenário com altas taxas de ocupação e demanda pressionada em Tecons de diferentes regiões do país.

“Queremos antecipar novos investimentos lá [Suape]. Pensamos em ir para uma segunda fase de forma antecipada. Estamos tendo essas discussões internas”, contou Levy. “Nossa expectativa é que, com o terminal arrancando agora, no final de julho, o mercado reaja bem para conseguirmos encomendar equipamentos que precisam ser fabricados lá fora e chegar para trazermos esse ‘choque’ de competitividade para a região”, acrescentou o diretor, durante a 30ª edição da Intermodal South America, em abril, em São Paulo (SP). 

A operadora promete que a unidade em Suape será o primeiro terminal 100% eletrificado da América Latina. Em março deste ano, a APM recebeu um pacote com 28 equipamentos encomendados da empresa chinesa Sany, que inclui dois guindastes de cais — STS (Ship to Shore). Com lanças de 70 metros de alcance operacional, esses equipamentos permitem a operação de embarcações com mais de 366 metros de comprimento, classe New Panamax, hoje as maiores a escalar portos no Brasil.

Levy disse à reportagem que, apesar de Suape ter uma demanda por investimentos nesse segmento, o setor portuário brasileiro, em geral, possui necessidade de aportes em eficiência e em novos equipamentos para operações mais modernas e antenadas com novas tecnologias. “Queremos fazer mais, não só em Pernambuco. Queremos trazer mais investimentos para Pecém (CE), Santos (SP) e para o Sul do Brasil. Qualquer oportunidade que aparecer vamos olhar porque no Brasil falta infraestrutura”, ressaltou.

Para o diretor da APM, discutir e avançar na carteira de projetos é o melhor caminho num segmento de carga que está há muito tempo sem novas instalações desse tipo. Ele lembrou que estão em discussão, além do Tecon Santos 10 (SP), processos para o arrendamento em áreas que vão representar aumento da capacidade instalada para movimentação de contêineres em São Sebastião (SP), Mucuripe (CE) e Itajaí (SC). “O governo sabe que a direção está correta, mas precisamos acelerar. É preciso acelerar e discutir as coisas que realmente importam”, comentou.

Levy frisou que a solução dos gargalos passa por investimentos em infraestrutura, mas não apenas no maior porto do país. “Não adianta imaginar que, resolvendo um problema em Santos, vamos resolver o problema do país inteiro. Temos que ter investimentos em Suape, mais investimentos em Paranaguá (PR), em Rio Grande (RS), mais investimentos em todo lugar. Se um não estiver funcionando, os outros não vão funcionar bem. Está tudo interligado, esse é o nosso desafio. Precisamos investir muito mais”, sugeriu.

Ele enxerga que, num cenário internacional com muita incerteza e muita volatilidade, a principal proteção contra o desarranjo das cadeias logísticas globais é ter mais capacidade. “Essas situações, infelizmente, seja por questão climática, seja por geopolítica mais complexa, vão acontecer com mais frequência (…). Não podemos deixar que terminais cheguem a uma taxa de utilização de 90%-95% como foi o caso durante muitos anos no Brasil. Temos que estar preparados e isso exige que apostas sejam feitas antes da demanda existir”, analisou.

Fonte: Revista Portos e Navios