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A Petrocity Portos espera iniciar as obras de construção de seu complexo portuário de São Mateus (ES) ainda em 2020. A empresa assinou um dos oito contratos de adesão firmados com o governo na semana passada. A próxima etapa é concluir o licenciamento ambiental junto ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) que, no começo do ano, exigiu melhorias no estudo de impacto ambiental (EIA). Após a obtenção da licença, começa a fase de implantação, que deve durar cerca de 30 meses. A intenção é que, até final de 2024, navios já estejam atracando no futuro terminal portuário, que será instalado aproximadamente 200 quilômetros ao norte de Vitória.
A Petrocity prevê um terminal dedicado à carga conteinerizada e geral. O terminal será abastecido por cargas de diferentes estados, como Rio de Janeiro e Bahia. A expectativa dos empreendedores é que o volume de carga a ser movimentado chegue a 18 milhões de toneladas por ano. O presidente da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva, disse que os números levam em consideração os estudos feitos na região macro que abrange o porto e as perspectivas de retomada da economia nos próximos anos. “Tenho convicção de que, com retomada econômica no Brasil, haverá crescimento produção industrial e vamos ter crescimento grande dos valores”, estimou Barbosa.
Com investimentos da ordem de R$ 3,5 bilhões, o projeto foi pensado para ser viabilizado com pay back de oito anos. Barbosa destacou que o complexo será instalado próximo a áreas produtoras de insumos do agronegócio, rochas ornamentais, madeira, celulose, além de atingir parte área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) ao sul da Bahia. Outra aposta são os acessos terrestres, como as rodovias BR-101, BR-116 e BR-381, além dos projetos ferroviários previstos, entre os quais uma ferrovia de 560 quilômetros entre São Mateus (ES) a Sete Lagoas (MG). “Se tudo ocorrer como anunciado pelo governo, teremos melhoria do desempenho do porto, internação de produtos e interiorização da economia”, projeta Barbosa.
A Petrocity Portos afirma que a
pandemia não atrapalhou diretamente o planejamento e que realizou reuniões
remotas e presenciais tomando medidas preventivas quando necessário. No
entanto, alguns parceiros paralisaram as atividades em algum momento. Segundo
Barbosa, pode haver algum atraso porque as prefeituras, apesar de colaborarem,
estão com expedientes menores. Ele explicou que o mercado hoje não obtém a
mobilização de recursos humanos e materiais
com a mesma facilidade de antes da pandemia.
Devido ao atual estágio da
economia, os investidores do projeto estão reestruturando alguns pátios, como o
destinado à movimentação de rochas ornamentais que foi considerado
superestimado e agora deve ter um tamanho menor do que na concepção original.
Os empreendedores também reavaliam o cenário do setor de petróleo e gás para
redefinir o escopo da área a funcionar com base de apoio offshore,
desenhado inicialmente em 2013. O projeto agora prevê a instalação de uma
termelétrica e de um navio gaseiro para regaseificação. A Petrocity Portos
também vem discutindo um memorando de entendimento para parceria com uma
empresa brasileira de navegação (EBN) no transporte por cabotagem. A
expectativa é anunciar a parceria em junho. Barbosa adiantou que é uma empresa forte
no mercado e que enxerga potencial de distribuição de cargas pelo futuro porto.
Dos oito contratos para exploração de terminais de uso privado (TUPs) firmados
na última semana, quatro são para novas áreas e os outros quatro são aditivos
para áreas já existentes, ampliação de área ou retificação de perfil de carga.
Fonte: Revista Portos e Navios