
De acordo com comunicados anteriores da APS, a modelagem de concessão da usina vem sendo preparada desde 2024, quando foi publicado chamamento público para doação de estudos sobre o complexo, incluindo geração de energia, modernização das instalações e uso turístico da vila histórica de Itatinga. A hidrelétrica, inaugurada em 1910 e classificada como Pequena Central Hidrelétrica (PCH), tem capacidade instalada de até 15 megawatts (MW), podendo chegar a 20 MW com atualizações tecnológicas, e hoje fornece cerca de 99% da energia consumida pela própria APS, além de injetar excedentes na rede da CPFL.
Segundo o presidente da APS, Anderson Pomini, o contrato de concessão deverá abranger a operação e expansão da usina, a exploração turística do complexo e a implantação de um parque de hidrogênio verde (H2V), com investimentos estimados em R$ 500 milhões apenas na planta de H2V, viabilizada a partir da energia renovável gerada em Itatinga. A proposta inclui ainda a substituição de aproximadamente 35 km de cabos de transmissão entre a usina e o Porto de Santos, medida apontada como necessária para reduzir oscilações e permitir que mais terminais passem a utilizar a energia gerada na PCH em vez de depender exclusivamente da concessionária local.
Para o setor portuário, a cessão de Itatinga insere o Porto de Santos na agenda de descarbonização e eletrificação de cais, ao combinar geração hidrelétrica própria com projetos de hidrogênio verde e eventual atendimento a operações de navios com ligação elétrica em terra (shore power) no futuro. A concessão também cria uma referência para outros portos brasileiros que estudam modelos de parceria público-privada em ativos energéticos, em um contexto de ampliação do uso de fontes renováveis na logística, na indústria naval e nas cadeias de granéis e contêineres.
Fonte: Portos e Navios.