
Arquivo/Divulgação
Empresa contratada deverá executar levantamentos e produzir relatórios sobre canal de navegação do porto organizado santista, ao longo de 3 anos
A Autoridade Portuária de Santos (APS) publicou o edital de licitação para contratação de serviços técnicos especializados visando ao estudo e monitoramento da dinâmica de lama fluida no canal de navegação do porto organizado. De acordo com o edital, a disputa será realizada na modalidade menor preço e o serviço deverá ser executado pela empresa contratada no prazo de 36 meses. A abertura das propostas está prevista para o próximo dia 9 de maio, às 10h00. no site do certame.
Para o estudo e monitoramento de lama fluida, deverão ser analisados os comportamentos da dinâmica sedimentar neste polígono, assim como a influência que
a navegação em lama fluida pode exercer sobre as regiões adjacentes ao canal, especialmente sobre o aspecto ambiental. O monitoramento da dinâmica de lama fluida no canal de navegação do porto organizado de Santos é uma das condicionantes da licença de operação (LO) da autoridade portuária emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 2017.
O termo de referência (TR) ressalta que o sistema possui características hidrodinâmicas e ambientais únicas, em relação aos demais ambientes costeiros que abrigam estruturas portuárias no litoral brasileiro. O TR informa que os berços de atracação do porto organizado de Santos contam com profundidades médias em torno de 15 metros e larguras que não ultrapassam os 600 metros.
O canal de navegação (foto) é dividido em quatro trechos, sendo: Trecho 01: compreendido entre a Barra e o Entreposto de Pesca; Trecho 02: compreendido entre o Entreposto de Pesca e o Terminal Concais; Trecho 03: compreendido entre o Terminal Concais e o Armazém 05; e Trecho 04: compreendido entre o Armazém 05 e a região da Alemoa.
“A configuração espacial do estuário santista, com destaque para a presença do canal de navegação onde se interpõem os processos de dinâmica sedimentar, influenciados de forma mais intensa pelos sistemas marinhos presentes na região da Baía de Santos (que atuam sobre os trechos 1 e 2) e pelos processos vinculados à contribuição das águas continentais (que influenciam principalmente na dinâmica dos trechos 3 e 4”, aponta o documento.
A primeira etapa será de planejamento do estudo e reuniões técnicas. A empresa contratada terá 45 dias, após a emissão da ordem de serviço, para conclusão de um relatório técnico sobre navegação em lama fluida. O TR destaca que, antes que se proponha qualquer mudança na forma de execução das dragagens no Porto de Santos, é importante haver clareza do funcionamento da dinâmica sedimentar ao longo de sua infraestrutura aquaviária.
A etapa 2 abrange a identificação dos depósitos de lama fluida ao longo do canal do porto organizado de Santos e deverá contemplar a obtenção de dados primários a partir realização de campanhas periódicas, a serem desenvolvidas em um período de dois anos. A terceira etapa tratará da modelagem de dispersão de pluma de ressuspensão de sedimentos. A contratada deverá avaliar este efeito na configuração atual do canal de navegação, bem como na condição hipotética de navegação em lama fluida, com auxílio de modelagens matemáticas e softwares apropriados.
A fase 4 será de análise e discussão dos dados , em busca de compreensão de como se dá o processo de formação da lama fluida e quais os parâmetros e condições ambientais que influenciam em sua dinâmica, permitindo o entendimento de sua variação temporal (ao longo do ano) de densidade e localização. Na etapa 5, a APS encaminhará ao Ibama os relatórios anuais que serão produzidos pela empresa contratada.
Fonte: Revista Portos e Navios