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Clippings - 28/08/13

Aquaviário é a cereja do bolo do setor de serviços

Serviço que mais cresceu em receita no perãodo de 12 meses até junho — com alta de 18%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — o transporte aquaviário permanece desbancando os modais aéreo e rodoviário. O desempenho do transporte de cargas e passageiros por barcos e navios supera até mesmo serviços de peso na atividade econômica, como os prestados às famílias (9,7%) e de comunicações (6,3%) e avança com folga acima da média do setor (8,9%), considerando a mesma base de comparação. “O fluxo industrial e comercial de importação e exportação , em especial, com a Europa e Estados Unidos, é o motor desse crescimento”, avalia o pesquisador do IBGE Roberto Saldanha.

Ele acredita que as ações de modernização nos portos, por causa da nova Lei dos Portos, e o maior movimento de mercadorias entre os estados da costa brasileira explicam o bom resultado do transporte aquaviário. Segundo o instituto, 96,8% da receita do modal, no primeiro semestre deste ano, são relativas ao transporte de carga. Dentro desse grupo, sobressaem a navegação de apoio a plataformas e o transporte marítimo de cabotagem de longo curso. Juntos, os dois segmentos responderam por 76,7% do total da receitado transporte de carga. No caso da cabotagem, o maior crescimento foi observado nos estados da região Nordeste, com destaque para Maranhão, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Embora o Rio de Janeiro e São Paulo, tradicionais polos de circulação de mercadorias, tenham mantido taxas importantes de crescimento.

O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, por exemplo, expandiu em 3,3% o movimento de cargas no primeiro semestre deste ano, em relação a igual perãodo de 2012. Ao todo, 5,5 milhões de toneladas circularam no perãodo, em 665 navios, 2,6% mais embarcações, considerando a mesma base de comparação. Chapas de aço, granéis líquidos de combustíveis e contêineres foram os principais bens transportados, segundo a administração de Suape. Leonardo Cerquinho, diretor de gestão portuária do porto pernambucano, atribui o crescimento à mudança na cultura logística do empresariado. “As empresas estão aumentando o interesse pela cabotagem em função da desburocratização do processo e o consequente ganho de tempo no despacho das cargas. Além disso, os armadores vêm colocando mais navios no mercado”, avalia.

Ele também aponta a segurança do deslocamento da carga e a redução de avarias como explicação pela preferência pelo modal. A Lei do Caminhoneiro, que estabelece descanso de 30 minutos a cada quatro horas de direção, também é vista como uma das causas para a perda de competitividade do transporte rodoviário frente ao aquaviário. Diretor comercial da empresa de logística Log In, Fabio Siccherino, destaca que, por conta da lei, empresários vêm repensando suas estratégias logísticas. “Dependendo da rota, a economia como modal aquaviário ultrapassa 20%. Muitas empresas não estão esperando a fiscalização apertar para mudar do rodoviário para o aquaviário”, diz.

E a perspectiva é de crescimento, afirmam especialistas. Está prevista para hoje a liberação dos 20 primeiros terminais portuários de uso privado para a segunda etapa do processo de autorizações para operação por, pelo menos, 25 anos. O processo é organizado pela Secretaria Especial de Portos (SEP). A previsão é de assinatura dos primeiros contratos de adesão até outubro deste ano.

Avanço do modal esbarra no investimento

Comuns nos Estados Unidos e Europa, os navios do tipo feeder são tendência nos grandes portos e devem impulsionar ainda mais o setor de transporte aquaviário no Brasil, nos próximos anos, diz Fabio Siccherino, diretor Comercial da Log In, empresa de logística intermodal. Usados no escoamento de cargas de navios de grande calado, que não conseguem atracar em qualquer tipo de porto, o uso desse tipo de embarcação cresceu 140% em 2012. “É um modelo de distribuição diferente, que vai aumentar e muito a movimentação portuária no Brasil”, aposta Siccherino.

Apesar das perspectivas animadoras, o setor encontra ainda fortes entraves. Dentre eles, a limitada capacidade e sobrecarga dos portos, os poucos navios de cabotagem disponíveis e o baixo patamar tecnológico dos terminais. “O que move o empresário, em primeira instância, é o custo e, nesse sentido, o modal rodoviário continua sendo um grande concorrente do aquaviário. Na prática, o empresário corre sempre o risco do seu contêiner não embarcar no dia, especialmente, se ele tem uma carga menor que 400 contêineres por mês.

Espera-se de três a quatro dias no porto e isso é perda de dinheiro. Já no caminhão, o custo é maior, mas o empresário tema certeza de que a carga vai chegar no tempo previsto”, avalia o gerente de Projetos da consultoria de logística Imam, Antônio Carlos Rezende. A falta de ações do governo para o incremento da navegação por interior é um dos entraves ao desenvolvimento do modal aquaviário apontado pelo diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli.

Segundo ele, as hidrovias são hoje subaproveitadas e esbarram num vazio de investimentos. “Há uma tendência no Centro-Oeste de navegação para o escoamento de grãos, mas faltam investimentos . Há 50 anos, só nas hidrovias gaúchas, tínhamos 1,2 mil quilômetros de rios navegáveis. Hoje, temos no máximo 800 quilômetros”, critica Manteli.