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Clippings - 16/07/10

Árabes querem ampliar pauta com Brasil

Câmara de Comércio Árabe Brasileira destaca potencial de investimentos em infraestrutura.

As exportações brasileiras para os países árabes no primeiro semestre cresceram 16,13%, chegando a US$ 5 bilhões, de acordo com números divulgados ontem, dia 15, pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Já as importações brasileiras no perãodo aumentaram 62%, ficando em US$ 3,3 bilhões, e foram lideradas em sua maioria pela compra de petróleo e minerais, com 86% da pauta.

Para termos de comparação, de janeiro a junho de 2009 os embarques para os 22 países de língua árabe somaram aproximadamente US$ 4,3 bilhões, aumento de 4,10% sobre o mesmo intervalo do exercício anterior, daí que que o setor avalia que o comércio bilateral já deixou para trás os efeitos mais deletérios da crise financeira mundial de 2008/2009.

Dentre os principais produtos vendidos, os destaques permanecem sendo carnes, com 29% de representatividade, açúcar, com 28% e minério, 16%. Historicamente, o agronegócio é o segmento com maior market share no universo das exportações brasileiras para o mundo árabe, respondendo por entre 60% e 69% dos volumes. O restante é basicamente composto por máquinas, jóias, entre outros.

Mas além de intensificar esse comércio, deflagrado depois da primeira visita de um presidente brasileiro a um país árabe, em 2003, a Câmara verifica potencial no aumento das exportações de bens industrializados (como aeronaves) e na atração de capital árabe para investir em infraestrutura brasileira, à luz do pré-sal, do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O Brasil precisa de investimentos em logística, portos, aeroportos. E os governos não foram capazes de guardar dinheiro para fazer (os aportes), destaca o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Schahin (na foto).

Apesar de não citar empresas ou consórcios específicos, ele afirma que existem muitas possibilidades – como a partir da Argélia, o maior fornecedor árabe para o Brasil. Com vasta receita resultante da venda do petróleo, o país busca boas oportunidades de negócios. Existem tratativas. Agora, depende do negócio, da rentabilidade, destaca.

A expectativa é que até o final do ano os investimentos externos árabes totalizem US$ 29,5 bilhões, sendo a maior parte (34,26%) capitaneada pelo Kuwait, seguido pela Líbia (21,14%). O que e o quanto virá para o Brasil a Câmara – na posição apenas de fomentadora das relações – não consegue mensurar.

Mas além de aumentar os volumes negociados entre Brasil e o mundo árabe, a Câmara vislumbra ainda a possibilidade de tradings estrangeiras se fixarem no Brasil para produzir não só para o consumo de seus países, mas também para exportar globalmente. O Brasil é um dos únicos países do mundo onde a fronteira agrícola ainda pode expandir, sustenta Schahin. De acordo com o executivo, o País ainda tem uma postura tímida na busca por vender para o mundo árabe.

Questionado sobre como o cenário de sucessão política no Brasil pode afetar os negócios com os países árabes – que ganharam escala no governo Lula -, Schahin afirma que muito pouco, uma vez que as políticas macroeconômicas dos dois principais postulantes à Presidência da República seguem (guardadas uma ou outra ressalva) praticamente a mesma linha.

Números

Segundo a Economist Intelligence Unit, os 22 países árabes juntos estão entre as 10 principais economias do mundo, com um PIB estimado para este ano próximo a US$ 2,76 trilhões, à frente da Rússia e atrás da Alemanha.

O fluxo comercial entre Brasil e os países árabes alcançou US$ 8,31 bilhões no primeiro semestre de 2010, um crescimento de 30,9% em relação ao mesmo perãodo do ano passado. Neste intervalo, os países árabes juntos constituíram-se como o 4º maior destino das exportações brasileiras, com 5,6% do total exportado.

O desempenho positivo das vendas para os árabes foi sustentado especialmente pelo crescimento de 24% das exportações brasileiras para os países árabes do Golfo Arábico, que totalizaram US$ 2,75 bilhões.