unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 09/06/23

ArcelorMittal estuda ampliar participação da cabotagem em sua logística

A ArcelorMittal, que enfrenta gargalos rodoviários em Santa Catarina, estuda formas de ampliar a participação da cabotagem em sua logística, principalmente na entrega de produtos para seus clientes ou para estoque em pontos estratégicos para a empresa. O grupo analisa a viabilidade de um hub regular entre portos das regiões Sul e Sudeste, ou ainda entre atracadouros de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

“Gostaríamos de aumentar a cabotagem. Estamos trabalhando fortemente para aumentar a cabotagem de saída e tentar quebrar o paradigma da cabotagem em cima de 1.000-1300 km”, contou o gerente de logística da ArcelorMittal, Marcelo Campos, durante painel na Conferência Nacional de Direito Marítimo e Portuário promovido pela Comissão do Direito Marítimo, Portuário e do Mar da seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e pela Comissão Especial de Direito Marítimo e Portuário da OAB Nacional.

A unidade ArcelorMittal Vega, em São Francisco do Sul (SC), que passa por expansão, movimentou quase 4,5 milhões de toneladas de aço em 2022 e tem projeção de movimentar cerca de 6 milhões de toneladas entre 2024 e 2025. A empresa informou que está investindo US$ 350 milhões nessa expansão e que já aportou quase US$ 1 bilhão no estado.

O aço vem do Espírito Santo, é beneficiado/galvanizado e entregue, principalmente para clientes da empresa no mercado automotivo, que representa mais de 50% da produção atual. Essa logística de abastecimento do insumo é feita 100% via cabotagem. “A empresa não teria nascido se não fosse a cabotagem. Seria impossível abastecê-la através do rodoviário”, ressaltou Campos. Ele explicou que o transporte de bobinas pesadas por longos trechos rodoviários seria inviável porque demandaria mais de 50.000 caminhões por ano, chegando a 70.000 após a expansão.

A ArcelorMittal Vega está instalada em São Francisco do Sul (SC), com acesso rodoviário via BR-280, que carece de obras de melhorias e de duplicação. A unidade está localizada no norte catarinense, próxima aos polos industriais, automobilísticos e metal-mecânicos do estado. A estrutura portuária de São Francisco do Sul conta com um berço dedicado no Tesc, que integra, por via marítima, a unidade Vega à unidade em Tubarão (ES). Campos destacou que a operação de cabotagem está baseada em um contrato de longo prazo, mantido há quase 20 anos, em parceria com a Norsul. Ele acrescentou que os produtos movimentados são produzidos para venda ou estocagem, numa logística de baixo custo, eficiente e bem resolvida.

A partir da crise do custo do frete rodoviário durante a greve dos caminhoneiros (2019), a ArcelorMittal passou a implementar a cabotagem na logística para entrega à fábrica da Jeep em Pernambuco, que é um dos principais clientes que recebem o aço da Vega. Hoje, 3% do volume são retirados pelo modal, o que corresponde a aproximadamente 70.000 toneladas/ano entre Santa Catarina e Pernambuco.

Aproximadamente 1.800 caminhões deixaram de rodar a partir do uso da cabotagem. Campos ressaltou que o caminhão não sairá da operação, mas fará distâncias compatíveis ao modal rodoviário, em vez de 3.400 Km por estradas durante 7 dias, transportando cargas sensíveis como bobinas do Sul para o Nordeste. A redução de emissões superou mais de 4.000 toneladas de CO2.

O gerente explicou que a redução do custo do frete varia de 10% a 30%, conforme custos com bunker e a condição de sobre-estadia a ser paga ou não. “Todo mês é uma luta para chegar a um custo competitivo. Na saída, não tem um volume grande. Suape/Ipojuca tem uma operação que concorre e o custo de estadia derruba o custo da operação”, detalhou.

Campos disse que a BR 280 é atualmente o principal gargalo logístico de Santa Catarina, que tem estradas em situação de calamidade. Ele citou uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), que identificou um aumento da ordem de 75% do custo logístico médio do estado, sendo que os custos com transporte respondem por 64% desse total. “Somos mais eficientes na armazenagem, mas o transporte explodiu o custo logístico”, afirmou.

Fonte: Revista Portos e Navios